Cotidiano

Após tragédia em Portugal, fogo no eucalipto e cana preocupam em MS

Corpo de Bombeiros traça estratégias

Tatiana Marin Publicado em 23/06/2017, às 19h38

None

Corpo de Bombeiros traça estratégias

Foram 64 mortos e mais de 200 feridos no incêndio florestal que assolou Portugal. Ainda sem causas confirmadas, as chamas se alastraram rapidamente, cercando diversos veículos que passavam por uma rodovia. Foram necessários 5 dias para que os bombeiros extinguissem o fogo.

Segundo o tenente-coronel chefe do Centro de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, para um incêndio dessas proporções são necessárias algumas condições. Todas elas estão ão presentes em Mato Grosso do Sul nos meses de julho, agosto e setembro: altas temperaturas, baixa umidade, focos de calor, ventos e raios.

A seiva do eucalipto é combustível e propicia que o fogo se alastre.

Junte a isso, áreas ricas em combustíveis naturais – vegetação seca, por exemplo – e temos todos os ingredientes para um incêndio de proporções semelhantes ao ocorrido em Portugal. Especialmente ao longo da BR-262, entre os municípios de Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Três Lagoas, onde a rodovia é margeada por florestas de eucaliptos.

Áreas de risco no Estado

Mato Grosso do Sul possui cerca de 1,5 milhões de hectares de áreas com risco de incêndio. De acordo com o tenente-coronel Moreira, plantações de cana-de-açúcar e florestas plantadas são os locais que mais demandam atenção. “As florestas de eucalipto, como em Portugal, possuem seiva que é combustível. E se estiver muito seco, as folhas secam, e o incêndio pode começar pela copa”, explica.

Florestas plantadas ocupam quase 1 milhão de hectares no Estado.

Segundo a Reflore (Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas) até julho de 2015, o estado tinha 820.000 mil hectares de plantação de eucalipto. Ao observar o aumento da área plantada a cada ano, em 2017 a área deve passar dos 1 milhão de hectares.

A queima da cana-de-açúcar ainda é utilizada antes da colheita tanto manual como mecânica. Segundo o tenente-coronel Moreira, mesmo que as queimadas sejam realizadas de forma controlada, em horários específicos, em áreas alternadas, é possível que se transforme em incêndio. Segundo dados do Perfil Estatístico de Mato Grosso do Sul em 2016 publicado pela atual Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) em 2015 a área destinada ao plantio da cana-de-açúcar era de 692.300 hectares. 

Ainda de acordo com o tenente-coronel Moreira, a Reflore faz monitoramento das plantações de eucalipto e tem equipamentos necessários para conter o fogo, além de divulgar informações para a população das cidades próximas.

Queima da cana-de-açúcar ainda é utilizada no processo de colheira manual ou mecânica.

“Eles fazem campanhas específicas e monitoramento das florestas. Se encontram algum foco de incêndio eles fazem a contenção e, se necessário, acionam o Corpo de Bombeiros”, diz Moreira. Ele afirma também que, a indústria sucroenergética, além de usar de procedimentos para as queimadas, realiza o acompanhamento preventivo com equipamentos específicos.

Estratégias do Corpo de Bombeiros

Na época de estiagem os batalhões do Corpo de Bombeiros no Estado trabalham com equipes extras. “Colocamos uma equipe de sobreaviso ou presencial, conforme a região do Estado”, informa o tenente-coronel Moreira.

O monitoramento é feito ao analisar dados de dois sites do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Conforme a situação, equipes são mantidas de sobreaviso. Além disso, o Corpo de Bombeiros conta com os chamados da população.

Após tragédia em Portugal, fogo no eucalipto e cana preocupam em MS

“Conseguimos investimentos extras com o Imasul, que está comprando uma camionete para locais de difícil acesso”, relata o tenente-coronel. O Imasul também está em processo de compra de 10 kits contra incêndio. Tais kits são grandes recipientes que comportam 600 litros de água e são colocados na carroceria de veículos utilitários.

“É um equipamento compacto transportado na carroceria das camionetes. Parece com uma caixa d’água e tem uma moto bomba e mangueira com esguicho. Transporta a água próximo ao incêndio”, explica. Assim não é necessário o uso da bomba costal pelos bombeiros. O equipamento é usado em conjunto com abafadores.

O Imasul foi consultado quanto ao prazo de recebimento do veículo e dos kits de combate a incêndios, porém não respondeu às perguntas da reportagem até o momento de fechamento deste texto.

Outro veículo para locais de difícil acesso também está em processo de compra irá atender o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema. Segundo Moreira, o utilitário será comprado através de emenda parlamentar da deputada Teresa Cristina.

Texto editado às 19h03 para adição de informações

Jornal Midiamax