Cotidiano

Após enfrentar até greve, Asilo São João Bosco quer ser autossustentável

Projeto traça metas e reduz despesas

Tatiana Marin Publicado em 09/07/2017, às 15h05

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Projeto traça metas e reduz despesas

Foi um pedido do então arcebispo de Campo Grande, dom Vitório Pavanello, que levou o programa de responsabilidade social do Corecon-MS (Conselho Regional de Economia de MS) a criar um projeto de administração para o Asilo São João Bosco. Afetada por dívidas, que culminaram com uma greve em abril de 2015, a entidade hoje dá sinais de melhora.

O programa do Corecon-MS auxilia e da assessoria gratuita a instituições filantrópicas desde 2014 em Mato Grosso do Sul. No Asilo São João Bosco atua desde 2015. O economista e presidente do conselho, Thales de Souza Campos, de voluntário, se tornou vice-presidente do asilo, mas garante que nada mudou. O economista ajudou a montar o projeto que pretende tornar o asilo autossustentável até 2023.

“Temos planejamentos de curto, médio e longo prazo para tornar o asilo autossustentável, dependendo o mínimo do governo. Desde que assumimos, dentro de 12 meses colocamos pagamento do asilo em dia e hoje o asilo depende cerca de 20% de verbas públicas. O asilo vai fazer 100 anos em 2023 e queremos que até lá ele esteja funcionando sem depender dos órgãos públicos”, explica Campos.

Ao término de 2018, Campos deseja que as metas de curto prazo sejam alcançadas, que são: “fazer o saneamento financeiro do asilo: pagar folha em dia, colocar em dia os encargos sociais atrasados e renegociar as dívidas trabalhistas”.

Em médio prazo o plano é realizar o saneamento econômico. “Pretendemos colocar obras em andamento, realizar reparos, ampliações, fazer funcionar o bazar e o salão de eventos e colocar em prática o projeto de ‘home care’”, enfatiza.

E, finalmente, no centenário da instituição, em 2023, o economista espera que o Asilo São João Bosco “esteja funcionando sem depender de órgão públicos, com todas as instalações completas e que o asilo ofereça ‘day use’ para idosos com enfermeira e  cuidador”.

Empresas parceiras

A administração conseguiu reduzir diversas despesas e melhorar procedimentos com a ajuda de ações de empresas e organizações. “A Energisa fez um projeto de eficiência energética. Trocaram lâmpadas para lâmpadas de led, trocaram geladeiras e ar-condicionados. A conta de energia que era quase R$ 20.000,00, está em R$ 12.000,00”, relata.

Após enfrentar até greve, Asilo São João Bosco quer ser autossustentável

As doações também fazem grande diferença. “A alimentação é doada pelo Ceasa, supermercados, fazendeiros doam carne. Temos um depósito de fraldas, pois os idosos usam de 3 a 6 fraldas por dia”, revela.

Outro incentivo veio do Banco Bradesco que está convertendo dívidas do asilo, que estavam na casa dos R$ 4,9 milhões, em doação. A Famasul e o Senar estão ajudando a montar horta orgânica. O troco solidário da Rede Comper já destinou cerca de R$ 22 mil para o asilo. Além disso, o grupo disponibilizou um funcionário que fez auditoria e orientação administrativa. O Senac ajuda na orientação das cozinheiras.

Campos conta que há muitas pessoas que ajudam. “A sociedade doa, muita gente faz campanha. E tem também os apenados”, ressalta. Segundo ele, a maioria das pessoas condenadas a cumprir pena através de trabalho voluntário continua trabalhando no asilo, mesmo depois de cumprir a pena.

O Asilo

Fundado em 1923, o Asilo São João Bosco fica na Avenida José Nogueira Vieira, 1900, Bairro Tiradentes. Tem capacidade física para abrigar 150 idosos, porém acolhe cerca de 80 com a atual situação.

“Não temos condições de pôr mais técnicos para cuidar dos idosos. Tem fila, inclusive de famílias que querem pagar”, conta Campos.

Segundo o economista, os idosos são divididos em 3 graus, conforme a demanda de cuidados. O idoso de grau 1 custa cerca de R$ 3.000,00. O de grau 2 custa em torno de R$ 3.800,00 e o de grau 3, quase R$ 4.500,00 ao mês. A despesa total da instituição gira em torno de R$ 350.000,00 a R$ 400.000,00 mensais.

Jornal Midiamax