Cotidiano

Setembro Amarelo: MS tem segunda maior taxa de suicídio entre jovens

Segunda maior população indígena tem maior taxa de suicídio

Tatiana Marin Publicado em 04/09/2016, às 15h32

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Segunda maior população indígena tem maior taxa de suicídio

  • Permeado por tabus, o suicídio é tema discutido no Setembro Amarelo, criado há dois anos com o intuito de conscientizar a todos de que é sim preciso falar sobre as mortes provocadas pelas próprias vítimas, geralmente ocasionadas pela incompreensão, falta de diálogo e depressão. Em um especial de seis matérias, publicadas até a próxima sexta-feira (9), o Jornal Midiamax discutirá o tema com psicólogos, psiquiatras e mostrará histórias de famílias que precisaram conviver com a perda de entes queridos.

O Mapa da Violência 2014 mostra que Campo Grande tem a quarta maior taxa de suicídio entre os jovens de todo o Brasil. Entre os índios, as oito cidades do Estado com as etnias Guarani Kaiowá somam mais mortes do que nas cidades com índios no Amazonas, Estado com a maior concentração da população. 

As estatísticas do Mapa da Violência 2014 mostram uma alarmante tendência, que não é apontada no Mapa de 2016, que trata somente de mortes por armas de fogo: entre 1980 e 2012 a taxa de suicídio no Brasil cresceu em 62,5%. Destes, 33,3% registrados entre 2000 e 2012, representando um grande aumento no crescimento a partir da virada do século.

Os números gerais do relatório do Mapa da Violência 2014 mostram que entre os anos 2002 e 2012, o aumento na taxa de suicídios foi maior que o crescimento populacional. O total de suicídios no país passou de 7.726 para 10.321, o que representa um aumento de 33.6% e o crescimento da população foi de 11,1% no mesmo período.

Segundo as conclusões do Mapa da Violência de 2014, estes números assustadores não recebem a devida atenção por estarem crescendo à sombra das mortes causadas por acidentes de trânsito e homicídios, com taxas entre 4 e 6 vezes maiores, o que estaria deixando o assunto fora da atenção. Além disso, a questão é delicada e permanece entremeada por receios e tabus.

Mato Grosso do Sul

As notificações de suicídio colocam cidades do Mato Grosso do Sul nas primeiras posições de rankings nacionais. Um dos fatos que contribui para essa realidade é o suicídio entre os Guarani e Kawioás. Na tabela gerada pelo Mapa da Violência 2014 com os 13 municípios com mais suicídios entre indígenas, Mato Grosso do Sul figura com 8 cidades.

O relatório produzido pelo Mapa da Violência de 2014 faz a comparação entre a população indígena no Brasil, que segundo o Censo Demográfico de 2010, os 821,5 mil indígenas representavam 0,4% da população. No Brasil, os suicídios entre os indígenas representam 1,0%, ou seja, duas vezes e meia do esperado pela participação demográfica. De acordo com o relatório emitido pelo Mapa da Violência “em Mato Grosso do Sul, a participação indígena nos suicídios é mais preocupante ainda. Pelo Censo de 2010, são 2,9% da população, mas 19,9% nos suicídios: quase sete vezes mais”.

Em Campo Grande

Dados fornecidos pelo Capelão e Professor Edilson dos Reis, que é coordenador do Curso de Prevenção ao Suicídio do HU/UFMS, em Campo Grande foram notificadas 4019 tentativas de suicídio 2010 a 2015, destes, 280 vieram a óbito. Somente no primeiro semestre 2016 foram registradas 360 tentativas (121 em homens e 293 em mulheres). De acordo com as estatísticas, que tem como fonte SINAN/SIM/SESAU, a faixa etária com maior incidência de tentativas e suicídios e de 15 a 49 anos.

Em Campo Grande, as mulheres são responsáveis por por cerca de 66% das tentativas de suicídio, porém os homens efetuam a própria morte três vezes mais que as mulheres. 

O perfil é confirmado pelos dados  do Mapa da Violência 2014, conforme o gráfico abaixo.

Campo Grande é a 4ª capital com maior taxa de suicídio entre jovens (15 a 29 anos) em 2012. (Mapa da Violência 2014)

Jornal Midiamax