Cotidiano

Sem medicamento na rede pública, mães temem por filhos com fibrose cística

Laboratório atrasou entrega, segundo SES

Wendy Tonhati Publicado em 26/10/2016, às 15h50

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Laboratório atrasou entrega, segundo SES

A fibrose cística é uma doença genética, crônica e ainda sem cura. Se diagnosticada precocemente, o paciente pode ter uma vida praticamente normal. Mas, para isso, é necessário tratamento adequado com remédios. Porém, essa medicação está em falta na Casa da Saúde, em Campo Grande, unidade da SES (Secretaria Estadual de Saúde). 

O pequeno Pedro Henrique tem 3 anos e é portador de fibrose cística. Na manhã desta quarta-feira (26), a mãe dele, Geovana Delmondes da Silva, foi até a Defensoria Pública para tentar descobrir um meio de conseguir o remédio para o tratamento da doença, a pancreatina 25 mil, por meio da rede pública de saúde, já que cada caixa custa R$ 120 na farmácia. 

“Estou aqui pelo meu filho, mas várias mães estão enfrentando esse problema e já tem criança internada. No nosso grupo, são 42 pessoas com fibrose cística, que é uma doença rara. Desde maio, a Casa da Saúde está enrolando com esse remédio. Agora, acabou para o meu filho também. Se eu for comprar, vou gastar R$ 1,2 mil por. Além disso, ainda tem suplemento e vitamina, que também são caros”, explica. 

O Governo do Estado informou que o medicamento está em falta, pois, o laboratório fabricante (Abbott) está com problemas de matéria prima. 

Isso atrasou a produção de lotes não só de Mato Grosso do Sul  como também de outros estados, já que é o único laboratório que distribui este medicamento. A entrega estava prevista para o dia 27/09, mas com o atraso e a liberação de documentação pela Anvisa, a previsão dada pelo fabricante foi de que até a semana que vem o lote do Pancreatina 25 mil estará normalizado”, informou em nota a SES. Sem medicamento na rede pública, mães temem por filhos com fibrose cística

Preocupada, Geovana diz que teme mais ‘enrolação’. “Eles sempre falam que estão normalizando esse medicamento. Que vai ter na semana que vem, mas a semana que vem nunca chega”. A mãe já obteve orientação na Defensoria Pública e na próxima semana, todos os documentos solicitados pelo defensor serão entregues. 

A Fibrose Cística atinge cerca de 70 mil pessoas em todo mundo. Um gene defeituoso e a proteína produzida por ele fazem com que o corpo produza muco de 30 a 60 vezes mais espesso que o usual. O muco espesso leva ao acúmulo de bactéria e germes nas vias respiratórias, podendo causar inchaço, inflamações e infecções como pneumonia e bronquite, trazendo danos aos pulmões.

Jornal Midiamax