Cotidiano

Prevenção na favela: demora em obter resultados desestimula mulheres

Com medo de câncer, moradoras desacreditam da saúde

Midiamax Publicado em 29/10/2016, às 12h55

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Com medo de câncer, moradoras desacreditam da saúde

Meses, anos, até a desistência. Esperar por resultados de exames da rede pública de saúde tem provocado desânimo em pacientes que buscam a prevenção do câncer de mama. A demora é tamanha, que a data de retorno chega, mas o resultado anterior não fica pronto. Estas são afirmações de mulheres, da região leste de Campo Grande, especificamente nos barracos armados no conjunto residencial Leon Denizart Conte, no Jardim Noroeste.

A campanha Outubro Rosa que fortalece as recomendações do Ministério da Saúde para o rastreamento e o diagnóstico precoce do câncer de mama, e que se intensifica na televisão nesta época do ano, é o maior alerta para estas mulheres. As contantes divulgações da Campanha são ‘choque de realidade’ na vida de Denaveia Bezerra, de 32 anos, que demonstra preocupação com a doença, afinal, quatro pessoas da família já morreram vítimas de câncer.

Ela não está no grupo de maior incidência da doença (acima dos 40 anos), mas vive um dilema com as constantes dores que sente nos seios. Ela conta que não sente nada durante o auto-exame (palpação das mamas), e ressalta que na última crise de dor, não conseguiu atendimento em uma UBSF.

A dona de casa relata que a última mamografia foi feita há três anos, mas que até agora não obteve os resultados. “Eu consegui encaminhamento depois de uma consulta nao ginecologista, no postinho do Pioneiros. A princípio elas (equipe de enfermagem) deram 20 dias de prazo para sair, mas depois foi prolongando até que desisti de buscar o resultado. O problema é tenho sentido essas dores e da última vez que fui parar na UBSF do Tiradentes a médica nem quis encostar em mim e disse que se eu quisesse arrumava tempo para marcar uma consulta”, conta.

Não muito longe, Jocilene Melo da Silva Conceição, de 46 anos, conta que iniciu a espera há poucas semanas. Esta é a primeira vez que a moradora decide fazer o exame de mamografia. Ela conta que foi encaminhada à Maternidade Cândido Mariano, depois de uma consulta no posto de saúde do Noroeste.

“Estão falando demais sobre o câncer de mama e dá muito medo. Eu não sei fazer o auto-exame na mama e quando fui fazer os exames de preventivo, a própria médica pediu a mamografia. Agora vou fazer o acompanhamento sempre, só não sei quando tempo vai demorar, porque os resultados do preventivo sempre demoram mais de seis meses para ficarem prontos, vamos ver quando vão sair estes”, disse.

É certo, que o autoexame não substitui a mamografia como diagnóstico do câncer de mama, mas uma das formas de prevenção é a atenção as alterações suspeitas no seio. A última mamografia de dona Valéria da Silva, de 49 anos, ocorreu há dois anos. Ela confessa que nunca se preocupou, pois não sabia da importancia da prevenção.

“Nunca fui de acompanhar ou guardar os exames, mas esse ano vou voltar no médico. Eu nem sabia do perigo da doença, mas na TV a gente vê muita história, até de quem nem sentia que estava doente e quando descobriu viu que estava avançada. Mas demora o resultado demora tanto e a gente tem tanta coisa para resolver do dia a dia que isso vai ficando para trás. A gente naõ tem dinheiro sobrando para ir no médico particular e aí acaba não indo em nenhum dos dois”, conta.

Indagada a respeito da suposta demora na entrega dos resultados de exames preventivos realizados na rede pública, a assessoria de imprensa da Prefeitura afirma que os preventivos têm prazo imediato de resposta, são encaminhados para os médicos das diversas especialidades que atendem nas unidades e as pacientes atendidas de acordo com suas necessidades. 

Com relação a falta de atendimento informado por Devaneia, a Prefeitura informa que as consultas são agendadas de acordo com a classificação de risco – quando existem, pois se não existe diagnóstico de doença apontado nos exames, não existe doença e os prazos podem ser mais dilatados, mas nunca atingem dois anos, uma vez que recomenda-se a repetição dos exames no prazo de 6 meses ou 1 ano. 

Outubro é o mês em que tradicionalmente o câncer de mama é pautado na sociedade. O que reitera os altos índices de incidência e também de óbitos decorrentes da doença. 

Em Mato Grosso do Sul, particularmente, os dados assustam: a SES (Secretaria Estadual de Saúde) trabalha com a estimativa de 820 novos casos em 2016, dos quais 460 ocorrerão somente em Campo Grande. Já a taxa de incidência por 100 mil habitantes é de 85,69 em Na Capital e 65,23 em Mato Grosso do Sul, conforme dados da secretaria. 

Outubro Rosa

No mês de outubro os jornalistas do Jornal Midiamax estão fazendo uma série de reportagens com o intuito de ajudar na campanha de conscientização da prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. Confira outras reportagens sobre o tema:

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