Cotidiano

Funcionários de casa de carnes são demitidos e denunciam ‘calote’ em depósito de FGTS

A empresa nega as irregularidades 

Gerciane Alves Publicado em 25/01/2016, às 19h49

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A empresa nega as irregularidades 

Dezenas de funcionários de uma casa de carnes de Campo Grande ficaram revoltados depois de serem demitidos e descobrirem irregularidades nos depósitos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Segundo denúncia dos funcionários, a rede teria fechado 8 filiais e não estava depositando o benefício dos trabalhadores. 

Segundo uma funcionária, de 30 anos, que preferiu não se identificar, as primeiras lojas da rede começaram a ser fechadas no ano passado por causa de uma suposta crise. “A rede tinha 8 lojas, todas em Campo Grande. Fecharam seis em 2015 e as outras duas agora em 2016. A justificativa que eles deram é que estão passando por uma crise”, explica a funcionária.

A funcionária conta que trabalhou durante um ano e seis meses na empresa e foi demitida em dezembro do ano passado. Depois da demissão ela foi informada que a empresa nunca depositou o fundo de garantia. Ela destaca que até agora não recebeu nada. “Eles não pagaram nem meu salário”, conta.

Ao descobrirem a irregularidade com o FGTS os trabalhadores procuraram MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e lá foram orientados a procurar o SECCG (Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande), mas, segundo a funcionária, até agora nada foi resolvido de fato. “Eles falaram que a única coisa que podem fazer é entrar com uma ação na justiça. Mas nós queríamos receber logo, pois já estamos passando por dificuldades” ressalta.

Com três filhos pequenos para sustentar, um de 3 anos, outro de 9, e o mais velho de 12, ela destaca que se sente mãos atadas e já está passando necessidades. “Minha mãe tem me ajudado, mas minhas contas já estão todas atrasadas. O salário do meu marido só deu para pagar o aluguel e as contas de água e luz”, diz.

Outro lado

O procurador da empresa, que também preferiu não se identificar, confirmou o fechamento das lojas, mas contou uma versão diferente da denunciada em relação aos pagamentos. “Foram fechadas todas as lojas, mas nós reivindicamos junto ao sindicato e protocolamos na semana passada um pedido de rescisões parceladas em seis pagamentos”, explica.

Ainda segundo o procurador, o pagamento parcelado foi aceito pelos funcionários, mas para que esse acordo tenha um valor jurídico é necessário que seja realizada uma assembleia junto ao sindicato dos trabalhadores. “O jurídico da empresa, orientado pelo sindicato, fez o protocolo disso na semana passada e estamos aguardando o sindicato marcar a assembleia para que a gente possa homologar todas as recisões”, conta.

O procurador nega qualquer irregularidade no depósito do FGTS. “Isso não corresponde aos fatos. Se procedesse, por exemplo, os funcionários que nós dispensamos ano passado estariam com as rescisões sem ser homologadas até agora. Por que quando você dispensa um funcionário você precisa recolher o fundo de garantia, se não tem como dispensar,” explica.

Entramos em contato com o SECCG, mas até a publicação desta matéria não obtivemos explicações sobre o caso. 

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