Cotidiano

Cerca de 90 mil alunos ficam sem aula entre esta terça e quinta-feira

Educadores reclamam da falta de reajuste do Piso Municipal

Midiamax Publicado em 15/03/2016, às 12h05

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Educadores reclamam da falta de reajuste do Piso Municipal

Cerca de 90 mil alunos da Reme (Rede Municipal de Ensino de Campo Grande) estão sem aula entre esta terça (15) e quinta-feira (17). Os professores da rede municipal estão paralisados em protesto a falta de pagamento do reajuste do Piso Municipal. A lei 5.411/14 foi sancionada pelo prefeito Alcides Bernal (PP) em 2014, mas não foi cumprida nem por ele, nem por Gilmar Olarte (PP), quando esteve à frente da Prefeitura.

Os quase 500 educadores que marcham nesta terça-feira até o Paço Municipal reclamam que a Prefeitura está veiculando propaganda na TV dizendo estar pagando salários acima do piso para a categoria. O que, eles dizem não ser verdade, já que o vencimento atual é de R$ 1.697,37, valor distinto dos R$ 2.546,00 que o município afirma pagar.

Presidente da ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública), Lucílio Souza Nobre, diz que o valor de R$ 2.546,00 se refere aos professores de carreira, que estão há anos prestando serviço para a prefeitura e que tenham feito cursos de especialização. Entretanto, o Piso diz respeito aos professores de início de carreira, que recém terminaram o magistério, e estes recebem apenas o valor de R$ 1.697,37, pelas 20 horas aulas trabalhadas.

“A propaganda dá a entender que a categoria está mentindo. Os protestos são para mostrar quem é o mentiroso da história. Queremos esclarecer as coisas e conseguir uma reunião com o prefeito para ele explicar como vai pagar a categoria”, diz.

Ele explica ainda que há dois anos a classe não recebe reajuste. “No ano passado a Prefeitura não fez os reajustes para atualizar o salário dos professores, conforme a Lei do Piso Municipal 5.411/14. Não pagaram os 13,01% em 2015 e não sinalizaram o pagamento de 11,36% deste ano. São dois anos sem reposição do piso. Se tivessem pagado o professor em inicio de carreira receberia hoje R$2.136,11”, critica.

Outro problema seria a relutância do prefeito em receber a categoria. “Oficializamos o pedido de reunião na sexta-feira e até agora não obtivemos respostas”, diz.

Caso não sejam recebidos, nesta tarde está programado uma panfletagem e adesivagem no Centro da Capital. Entre as ruas 7 de setembro, 13 de maio, 14 de julho e avenida Afonso Penna. Se ainda assim, não forem chamados para reunião, amanhã (16) haverá uma passeata pelo Centro.

 Marithê Lopes/MidiamaxPouca adesão

Conforme a ACP, a pouca adesão dos professores nesta terça-feira se deve ao fato de o educadores terem ficado receosos de punição. Mas ele aforma que a partir de hoje o movimento deve crescer. Pois a própria Semed (Secretaria Municipal de Ensino de Campo Grande) informou que não haverá retaliações.

“Emitimos hoje um comunicado às escolas informando que os professores podem participar da paralisação sem medo. A própria Semed informou que ninguém será prejudicado por aderir aos protestos”, diz.

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