Cotidiano

Secretário descarta cancelar ano letivo, mas diz que limite da greve é de 15 dias

Professores devem se reunir com a Prefeitura nesta terça-feira

Kemila Pellin Publicado em 10/08/2015, às 22h22

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Professores devem se reunir com a Prefeitura nesta terça-feira

O secretário de Educação de Campo Grande, Marcelo Salomão descartou a possibilidade de cancelar o ano letivo por conta da greve dos professores, que já dura 78 dias. “Isso nem passa pela cabeça da gente. Nem cogitamos isso, em hipótese nenhuma”. Porém, mesmo contrariado, admitiu que se a greve durar mais 15 dias o fato deve ser considerado.

Marcelo explicou que, conforme já divulgado na semana passada, caso as atividades sejam retomadas imediatamente, o semestre conseguiria ser concluído até fevereiro. Isso usando todos os sábados, feriados e acrescentando quinto tempo às aulas.

Porém o secretário admitiu que caso a greve dure mais algumas semanas, a possibilidade de virar o ano deverá ser considerada. “Se ela perdurar por mais 15 dias nós vamos ter dificuldade, aí sim pode ter possibilidade de virar o ano. Aí nós teríamos que readequar o calendário escolar de 2016, mas isso nem passa pela nossa cabeça ainda”, reforça.

Marcelo ainda disse que depois de tantas propostas recusadas pelos professores da Reme (Rede Municipal de Ensino), na tentativa de pôr fim à greve, o Executivo começa a acreditar que a paralisação tenha cunho político.

“Já fizemos várias propostas, nenhuma delas foi aceita. Eles só aceitam se forem os 13,01% no salário, o que infelizmente agora nós não podemos dar. Se o prefeito der esse reajuste agora, isso pode ser considerado improbidade, por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal. Então isso está me preocupando muito, porque quem perde com isso é o aluno, Daqui a pouco eu não vou conseguir terminar o ano em dezembro. Isso dá a conotação para gente, que eu não queria pensar, mas que a greve é politica, porque todas as anuências a gente tentou”, argumenta o secretário ao reforçar que reconhece a legitimidade do reajuste.

Na última sexta (7), depois de a categoria recusar-se a receber 8% de reajuste no cartão Brasil Cred, pelo prazo de 90 dias, até que a Prefeitura consiga organizar o caixa para conceder aumento de forma legítima, a comissão formada pelos secretários de Governo para discutir a greve, apresentou nova proposta, na qual a Procuradoria-Geral do Município em parceria com o jurídico da categoria iriam protocolar um pedido no TJMS (Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul) para que o processo fosse julgado mais rápido.

Marcelo disse que a categoria recusou a proposta, que pedia a volta imediata das aulas até o julgamento. Já o presidente da ACP (Sindicado Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública), Geraldo Gonçalves disse que esta proposta nem chegou a ser apresentada aos professores. “Eu conversei com o secretário de Administração, Wilson do Prado, hoje de manhã e ele disse que nem precisava apresentar essa proposta aos professores, porque se a Prefeitura perdesse ele teria que recorrer e o problema continuaria. O que nós votamos em assembleia hoje, foi novamente a proposta do pagamento pelo cartão alimentação, que agora foi oficializada por eles”, explica Geraldo.

Ainda conforme o presidente, a categoria novamente recusou a proposta da Prefeitura, alegando o plano de carreira e a aposentadoria, que seriam prejudicados. Sobre voltar as aulas caso o Executivo apresente a proposta da petição ao TJ, Geraldo disse não acreditar que os professores aceitem, visto que isso não garante o reajuste à categoria.

Nesta terça-feira (11) os professores voltam a se reunir com a Prefeitura para discutir a greve. O secretário de Educação destacou que não está descartada a possibilidade do Executivo entrar com a petição no TJ sozinho, ou ainda uma nova proposta a categoria. A reunião será às 9 horas na Prefeitura.

Jornal Midiamax