Cotidiano

Pais dormem na fila, temem chuva, mas não deixam escola para conseguir vaga

Inscrição para escola de tempo integral será feita na próxima terça-feira

Wendy Tonhati Publicado em 28/11/2015, às 18h28

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Inscrição para escola de tempo integral será feita na próxima terça-feira

Na tarde deste sábado (28), a fila de pais na porta da Escola Municipal de Tempo Integral Iracema Maria Vicente, no Bairro Rita Vieira já era grande. Para conseguir uma vaga, eles vão ter de ficar na fila até a terça-feira (1º), quando as inscrições serão feitas, respeitando a ordem de chegada. Após já terem passado uma noite na frente da escola, agora, eles temem a forte chuva pode cair a qualquer momento.

De acordo com o edital são 20 vagas para educação infantil – pré-escola 1; 25 vagas para pré-escola 2 e 25 vagas para 1º ano do ensino fundamental. Os pais dizem que a escola abriu os portões durante a chuva da tarde e liberou a entrada para o banheiro, mas em caso de chuva forte “vai ficar difícil”, segundo uma das mães. Para garantir que ninguém saia prejudicado, eles já se organizaram fazendo uma lista, indicando a ordem de chegada. 

Creuza Lopes foi a primeira a chegar na escola, por volta das 18h30 da sexta-feira (27). Ela está revezando com a filha para conseguir uma vaga para o neto, de 6 anos. Creuza diz que a filha é viúva e tem dois filhos. “Estamos fazendo revezamento. Ela precisa muito para trabalhar. Para a pequena (de 1 ano e 6 meses) estamos lutando por uma vaga na creche”. 

Mesmo se organizando para manter a ordem de chegada, os pais temem perder a vaga por conta de uma das clausulas do edital. A que diz que doadores de sangue tem prioridade. Joseane Campos diz que tem o marido e por isso está revezando com a amiga Creuza, a primeira da fila e a filha de Creuza para garantir o lugar na fila. Diarista, ela já perdeu o serviço neste sábado e vai perder também na segunda. “Fazer o que? Preciso da vaga. Tenho que levá-lo comigo para trabalhar e tem gente que não gosta. Chama uma vez e depois não chama mais”. 

Joseane reclama da prioridade para quem doa sangue. “Não é todo mundo que pode. Eu tenho pressão alta e também por religião não doo. Por causa disso, podem passar na nossa frente. Acho injusto, não tem que ter distinção. Mas pelo menos com a ordem de chegada, acho que vai dar certo. Ano passado foi seleção e nem implorando à diretora conseguimos a vaga”. 

A porteira Maria Auxiliadora Souza Dias também está na fila para conseguir uma vaga para a filha de 5 anos. “Estou revezando com o marido e o meu filho, senão, perde a vaga. Mesmo assim, a gente fica na dúvida. Falaram que já tem vaga para quem é da roça. Cada hora falam uma coisa. Pelo edital estamos garantidos, mas é uma falta de respeito ter vagas para outras pessoas que não estão aqui”. 

Aos 15 anos, Jheynifer Cristina está na fila para garantir a vaga da irmã, de 5 anos. “Também estamos revezando. A vaga dela [da irmã] é para o pré 2. A noite, a minha mãe vem para dormir aqui”. 

Jornal Midiamax