Cotidiano

Nas ruas, campo-grandense compara ganhos de políticos com salário mínimo

Em um ano deputados recebem R$ 330 mil

Thatiana Melo Publicado em 16/04/2015, às 19h40

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Em um ano deputados recebem R$ 330 mil

Cifras de R$ 330 mil anuais, este valor é o que um deputado estadual de Mato Grosso do Sul começou a ganhar em fevereiro deste ano, com o aumento publicado no Diário Oficial da Assembleia Legislativa do Estado, com valores mensais de R$ 25.322. E o que deixou a população campo-grandense indignada, principalmente, quando comparado com um salário mínimo percebido pelo trabalhador, de R$ 788.

Para um trabalhador comum conseguir alcançar as cifras de um deputado estadual em um mês teria que trabalhar, sem gastar um único centavo do dinheiro recebido, durante 2 anos e seis meses.  

A fisioterapeuta Fabíola Ariche, de 31 anos, acha um absurdo esta relação tão desproporcional. “Não se faz nada com um salário mínimo, a diferença é gritante”, diz. Para a autônoma Cleonice Souza, de 54 anos, é uma humilhação a disparidade. “Como que uma pessoa consegue sobreviver com um salário mínimo, não acho justo eles ganharem tanto, sendo que não fazem nada pela gente, só nos procuram na época de eleições”, frisa Cleonice.

Tantas mordomias e pouco trabalho apresentado à população deixam o mototaxista Carlos Timóteo, de 42 anos, indignado. “Não fazem nada por nós”, afirma. O autônomo Wander de Oliveira, de 40 anos, que tem três empregos para conseguir sobreviver, acha um absurdo. “É uma vergonha. Eles são colocados lá para fazerem algo de bom para nós, mas acabam fazendo só em benefício próprio, fazem quase nada para a população”. Diz Wander.

O aposentado João Araújo, de 72 anos, diz que mesmo depois da aposentadoria continua trabalhando para complementar a renda. “O que ganhamos é uma mixaria. Agora se eles ganham tudo isso precisam trabalhar direito e fazer algo de bom para a população”, fala o aposentado.

“Acho muito desigual, se diminuísse o deles a gente não passaria tanto aperto. Alguma coisa tem que ser reduzida”, afirma Sônia da Silva, de 45 anos. O mototaxista Adaliba Linhares, de 50 anos, revela que o povo apenas sobrevive. “Temos o essencial porque não dá para viver com este salário. Os salários dos políticos deviam ser reduzidos”, afirma. A aposentada Aparecida Renovato, de 73 anos, disse não ter nem comentários para tanta disparidade.

Jornal Midiamax