Cotidiano

Indígenas ocupam Assembleia e exigem aprovação da CPI do Genocídio

Ocupação também é contra a CPI do Cimi

Midiamax Publicado em 07/10/2015, às 22h07

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Ocupação também é contra a CPI do Cimi

Depois de protestar durante todo o dia, indígenas terena anunciaram no fim da tarde desta quarta-feira (7) a ocupação da Assembleia Legislativa até que a CPI do Genocídio seja aprovada. A ocupação também é contra a CPI do Cimi. A movimentação é grande no local, onde estão em torno de 350 pessoas. O anúncio foi feito por líder terena.

Com a presença do presidente do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), entidades realizaram ato em defesa dos guarani kaiowá. O grupo esteve nesta tarde na frente da Assembleia Legislativa realizando danças e protestando contra o assassinato dos povos indígenas em Mato Grosso do Sul. A iniciativa é da Cese (Coordenadoria Ecumênica de Serviço), em parceria com o Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) e o Cebi (Centro de Estudos Bíblicos). A missão ecumênica seguiu rumo à Dourados, onde visitará aldeias.

Entenda o caso

No dia 22 de setembro foi instalada, na Assembleia Legislativa, uma CPI com o objetivo, de acordo com os deputados estaduais envolvidos, de investigar “denúncias de incitação de conflitos por terras em Mato Grosso do Sul entre indígenas e ‘proprietários rurais’”.

Diante da ação dos deputados, vários movimentos sociais reuniram-se e realizaram atos e lançaram a campanha “Eu Quero: CPI do Genocídio!”, para contrapor a iniciativa e denunciar a violência sofrida pelas tribos no estado. Também houve encontro com arcebispo de Campo Grande, dom Dimas Lara Barbosa, em solidariedade ao Cimi.

Na ocasião, dom Dimas denunciou que a “CPI do Cimi” tem o objetivo de desviar o foco dos debates sobre os conflitos de terra que envolvem fazendeiros e indígenas. “A demarcação é a questão principal. Concordo com a indenização dos fazendeiros, mas a CPI do Cimi é para usar o Conselho como ‘bode expiatório’ e desviar o assunto sobre os territórios indígenas”, disse.

Para o Conselho Indigenista, a abertura da investigação foi feita “sem fato determinado, e sem demonstrar nenhum indício de ilegalidade por parte do Cimi”.

O Conselho ainda ressalta a ocorrência de mais de 390 assassinatos de índios no estado. Desde o fim de agosto de 2015 ocorreram dez ataques a tribos dos Guarani e Kaiowá.

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