Cotidiano

Escola improvisada em favela depende de ‘gato’ para funcionar

Na Escolinha falta desde a lousa, até a luz

Midiamax Publicado em 15/04/2015, às 15h07

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Na Escolinha falta desde a lousa, até a luz

É em um terreno sem muros, com duas salas de madeira e carteiras simples, que 71 alunos da favela Cidade de Deus, região do Bairro Dom Antônio Barbosa, em Campo Grande, estudam de terça-feira a sábado. Na Escolinha Filhos da Misericórdia, falta muita coisa, desde a lousa até a luz, que foi cortada mais uma vez nesta terça-feira (14).

No local, que foi construído a 2 anos, a iluminação vem de “gatos” de energia, que são desligados pela Energisa de tempos em tempos. O relato é da inspetora da escola, Edileuza Luiza, de 37 anos. “Eles [Energisa] entraram aqui com polícia civil, polícia militar e foram desligando tudo, a sorte é que não levaram os nossos fios dessa vez”.

Na última vez que a luz foi cortada, foram necessários três dias para religar. A inspetora conta que todos os fios foram levados, e na época faltou de dinheiro para comprar outros e também para pagar a pessoa que faz o serviço.

Para a escola que sobrevive de doações, não é só a suspensão das aulas que incomoda, é a perda dos alimentos para as crianças, de 3 a 15 anos, que passam o dia no local. “Eles alegam que não podem colocar padrão aqui porque somos irregulares, isso a gente entende, mas até eles decidirem para onde a gente vai deveriam deixar a luz ligada”, defende Luiza.

O dilema, segundo a moradora, piora quando nem Prefeitura, nem Energisa assumem a responsabilidade. “A Prefeitura fala que se a Energisa autorizar podemos manter os “gatos”, já a Energisa fala que a prefeitura que tem que fazer isso. Já fechamos BR, fizemos protesto e nada resolve”, lamenta. Enquanto isso, situação não se resolve e os alunos se acostumam com a falta de energia.

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