Proprietário diz que Prefeitura cedeu área há 12 anos

A construção de empresa em área pública está se tornando comum em . Na Avenida Senhor do Bonfim, no Parque Novos Estados, na região norte da Capital, uma casa de materiais para construção, construiu o depósito em um terreno da Prefeitura, que também é ocupado por aproximadamente 10 famílias.

A vendedora autônoma, Alessandra Paula Raimunda, de 38 anos, diz que os primeiros moradores da área de comodato localizada no quadrilátero da Avenida Senhor do Bonfim e Robert Spengler Neto, entre a Rua Acará Bandeira e Horácio Lemos, chegaram ao local há 20 anos.

“Meu pai já é falecido. Quando ele chegou aqui não tinha nada. Era pasto de vaca, só tinha mato. Ele limpou tudo e começamos a morar aqui”, afirma. Atualmente, a família de aproximadamente 30 pessoas, continua morando no local. Luciele Raimunda, de 37 anos, diz que tem esperança de que o terreno seja regularizado.

“Nunca fiz inscrição em programa habitacional porque não quero usar a vaga de ninguém. Tenho certeza que um dia vão regularizar a nossa situação. Criei meus filhos aqui e quero continuar aqui”, afirma. Questionada sobre a vizinhança, ela diz que alguns se aproveitam da área e cita o caso de um dos vizinhos. “O rapaz da casinha de madeira só usa o lugar para fazer as caixas que ele vende. Ele não precisa, tem casa. Acho que deveria permitir só quem precisa”, diz.

O proprietário da casa de materiais de construção, Luan Mendes Medina, de 25 anos, que também usa parte da área como depósito da empresa, afirma ter autorização do município para utilizar o local.

“A Prefeitura cedeu pra gente trabalhar há uns 12 anos quando minha mãe tomava conta daqui e ficou no nome dela. O Bernal [prefeito de Campo Grande entre janeiro de 2013 e março de 2014]entrou e travou de vez a negociação que estava encaminhada”, justifica.

Quanto à construção do depósito, o Medina garante que a autorização mencionada, permite que ele utilize a área para esta finalidade. “É liberado pra gente fazer uso do depósito, do pátio”, assegura. A reportagem tentou falar não conseguiu falar com a mãe do proprietário da empresa.

A reportagem do Jornal Midiamax encaminhou e-mail para a Prefeitura para obter informações a respeito da área, mas até o fechamento deste texto, não obteve resposta.

Estas não são as únicas áreas de comodato utilizadas por empresa. Na última segunda-feira (25), o Jornal Midiamax publicou uma matéria sobre uma área sendo comercializada na Rua Timóteo, no Jardim Aeroporto, na região oeste da Capital. No local, o morador oferecia dois terrenos, uma deles na Rua Wanderley Pavão, pela qual ele pedia R$ 40 mil e o outro na esquina com a Júlio de Castilho a R$ 50 mil. Na mesma área, o morador construiu um comércio para a esposa e um prédio que aluga há 16 anos para uma igreja.

Na ocasião a reportagem entrou em contato com da Prefeitura e da (Agência Municipal de Habitação de Campo Grande) para saber quantas áreas de comodato existem na Capital.

A Emha informou que a responsabilidade por áreas públicas do município é da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) e que a Agência tem uma equipe de fiscalização a título de parceria, que trabalha no sentido de coibir vendas de lotes e barracos em áreas de comodato, mesmo não sendo de sua responsabilidade. Já a Prefeitura não retornou para explicar as providências que a administração municipal deve adotar quando a venda de terrenos em área de comodato.


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