Cotidiano

Depois de 39 anos, prédio da antiga rodoviária será fechado nesta terça

Fechamento foi determinado pelo MPE após interdição

Midiamax Publicado em 26/10/2015, às 15h53

None
_mg_8526_ok.jpg

Fechamento foi determinado pelo MPE após interdição

Depois de 39 anos de sua fundação, o Centro Comercial Condomínio Terminal do Oeste, localizado no quadrilátero das ruas Dom Aquino, Vasconcelos Fernandes, Barão do Rio Branco e Joaquim Nabuco, no Bairro Amambaí, na região central de Campo Grande, onde funcionava a antiga rodoviária, pode ser fechado nesta terça-feira (27).

No passado, o centro comercial mobilizou a população campo-grandense com suas salas de cinema modernas à época. O local era um dos principais pontos de encontro da cidade e chegou a abrigar 180 pontos comerciais. Com o passar dos anos, o cenário mudou e atualmente o local conta com 49 estabelecimentos abertos.

Na semana passada os comerciantes, que resistiram às mudanças e permanecem no centro comercial, foram notificados sobre o fechamento. O coronel do Corpo de Bombeiros, Jairo Shoitiro Kamimura, explica que o prédio foi interditado no dia 28 de agosto por não atender às exigências de segurança, como extintores, hidrantes, iluminação, sinalização, saídas de emergência, alarme de incêndio e revisões em instalações elétricas.

“Eles deveriam ter desocupado na data da interdição. Não foi estipulado um prazo porque trata-se de caráter de urgência e se receberam uma notificação e não baixaram as portas estão cometendo crime de desobediência”, declara o coronel que nesta segunda-feira (26), participa de uma reunião com representantes do Corpo Bombeiros e das Polícia Militar e Civil para tratar sobre a operação de desocupação determinada pelo MPE (Ministério Público Estadual).

Nesta manhã, a menos de 24 horas para a desocupação, o clima entre os comerciantes era de insegurança. Muitos ainda estão confusos, com muitas dúvidas sobre a desocupação, como comenta o dono de uma loja de CDS, Pitetro Luigi , de 39 anos, que está há quase dois anos no local.

“Fica uma incógnita porque não é a primeira vez que dizem que vão fechar. Eu tenho muita coisa aqui e não sei o que fazer porque é muito difícil encontrar um ponto comercial de um dia para o outro. A impressão é de que o prédio é um elefante branco e falta interesse geral, mas existe esperança de reverter isso”, destaca.

Jamacy Leite Campelo, de 75 anos, diz que montou a sapataria no centro comercial há 15 anos e lamenta ter de deixar o local. “ A situação está feia. Dizem que vão fechar amanhã. As exigências do Corpo de Bombeiros são legítimas. Acredito que houve falha por parte da administração. As autoridades tinham de fazer alguma coisa, mas ninguém se interessa e isso é lamentável porque o prédio fica na região central, no coração de Campo Grande. Agora vou ter de recomeçar aos 75 anos”, observa.

Para não perder a freguesia conquistada ao longo dos anos, Campelo diz que vai fazer plantão na frente do local. “Vou ficar aqui na frente esperando os clientes”, afirma.

Mamede Fernandes Amorim, de 63 anos, abriu a loja de presentes há 25 anos e há pouco mais de um ano, o local se transformou em sua moradia. Com o risco de perder o comércio e a casa, ele diz que também não sabe o que fará a partir de amanhã. “É muito doído. Dependo do meu trabalho, tenho meus compromissos. É complicado. Não tenho onde deixar minhas coisas. Não tive tempo de avisar meus clientes. Foi tudo em cima da hora”, frisa.

Lojista antigo, Sandoval Miguel Souza, de 48 anos, abriu o estabelecimento comercial há 23 anos e também não se preparou para a desocupação. “Eu me sinto abandonado pelo poder público. Para mim isso é uma questão de interesse político. Não tem sentido o que estão fazendo. É como se alguém batesse na porta da minha casa e dissesse que eu tenho de sair. Sobrevivemos aqui e não sei o que vou fazer”, diz.

A síndica Rosane Nely de Lima, afirma que não houve tempo e recursos para atender a todas as exigências do Corpo de Bombeiros. “O prédio tem 25 mil m². Pedimos o prazo de 30 dias e foi negado. Além de ser muito grande, aqui é antigo. Também temos muitos condôminos em débito e precisamos de R$ 64 mil para fazer tudo o que pediram. No sábado (24), fizemos uma reunião para conseguir resolver isso. Agora vamos entrar com um novo recurso para impedir a desocupação”, explica.

Caso não haja nenhuma decisão que anule a determinação, a ordem de desocupação deve ser cumprida a partir das 9 horas desta terça-feira.  

Jornal Midiamax