Cotidiano

Com fechamento próximo, servidores já começam a ser remanejados do Cempe

Pais e servidores reclamam do fechamento da unidade

Wendy Tonhati Publicado em 14/10/2015, às 12h21

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Pais e servidores reclamam do fechamento da unidade

Os servidores municipais do Cempe (Centro Municipal Pediátrico), que desde maio deste ano passou a ser chamado de PAI (Pronto Atendimento Infantil), já começaram a ser remanejados para outras unidades de saúde de Campo Grande. Os trabalhadores foram convocados para uma reunião na manhã desta quarta-feira (14), na Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) para serem informados como serão feitas as mudanças. Segundo a diretora de assistência de saúde de Campo Grande Rosemeire Arias, alguns servidores já estão sendo encaminhados para outras unidades. 

A maioria dos servidores durante a manhã ainda não havia sido informada da data do fechamento e em qual unidade vão trabalhar. Eles estavam indignados com a falta de informação oficial e com a quantidade de boatos que surgiram sobre o fechamento. 

Ainda de acordo com Rosemeire, com a decentralização do serviço, o remanejamento dos servidores vai atender a dois critérios: necessidade da unidade de saúde e tempo de casa do servidor. Com isso, os trabalhadores mais antigos vão ter prioridade em escolher dentro das vagas das unidades. “Começam a ser remanejados a partir de hoje. Ainda vai ser discutida a necessidade de manter 14 funcionários até que seja totalmente desativado”, diz Rosemeire. 

Os profissionais poderão ser remanejados para UBS (Unidade Básica de Saúde), Unidade de Saúde da Família, laboratório, CRS (Centro Regional de Saúde), UPA (Unidade de Pronto Atendimento), Caps (Centro de Atenção Psicossocial ), Cem (Centro de Especialidades Médicas) e Cedip (Centro de Doenças Infecto-parasitárias). 

Cristiano Faro, que assumiu a direção do Cempe há aproximadamente dez dias,  afirmou que a descentralização vai beneficiar a sociedade, porque vai atender o que preconiza o SUS (Sistema Único de Saúde). “Com isso, volta a funcionar a pediatria nos bairros”, diz. 

No Cempe, havia 34 pediatras e todos vão ser lotados na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), onde atualmente  há 35 vagas abertas. Com a decentralização, a expectativa é de que não falte  atendimento nas UPAs Universitaria, Coronel Antonino e Vila Almeida, onde ainda faltam 3 e 6 pediatras, respectivamente. O atendimento também deve ser 24 horas nas Upas e noturno (das 19 as 7) nos CRSs Moreninha, Tiradentes e Guanandi. 

Conforme o diretor do Cempe, a unidade contava com 208 funcionários. O prédio é alugado e a Prefeitura conseguiu um contrato de prorrogação por até 90 dias, contando a partir do dia 5 de outubro. Porém, Faro, diz acreditar que não será necessários três meses para que a unidade estaje totalmente fechada. A economia do executivo deve ser de R$ 2 milhões mensais. A média de atendimento por mês era de oito mil crianças e 300 por dia. A título de comparação, a unidade do Bairro Coronel Antonino, atende 200 crianças por dia, segundo o diretor do Cempe. 

Apreensão

Os servidores do Cempe conversaram com o Jornal Midiamax, mas preferiram não se identificar. Um funcionária que está desde o começo, diz que a sensação é de insegurança por não ter nada definido. “Ouvimos rumores, mas ninguém disse o que vai fechar realmente. É uma perda para população, por causa dos serviços que são oferecidos”, diz. 

Uma servidora que trabalha há mais de 20 anos, diz que todo mundo passou por uma prova para trabalhar no Cempe. “Agora, não pode remanejar a gente sem sermos ouvidos”. 

Na tarde de terça-feira (13), o Jornal Midiamax conversou com vários pais que estavam no Cempe e a maioria, criticou o fechamento.

Jornal Midiamax