Cotidiano

Arquitetos alertam que pintura do Horto prejudica o patrimônio cultural da Capital

Depois que os tijolos à vista foram pintados houve uma grande discussão

Midiamax Publicado em 15/04/2015, às 16h14

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Depois que os tijolos à vista foram pintados houve uma grande discussão

Uma discussão, que envolveu arquitetos e Prefeitura de Campo Grande, causou grande repercussão no Facebook nos últimos dias. O impasse teve início depois que a administração municipal pintou, de branco, os tijolos à vista do Horto Florestal, medida que estaria arruinando o patrimônio arquitetônico do parque.

A mini reforma começou depois que denúncias na imprensa mostraram a praça abandona, com mato alto e sem segurança. Ademais, um crime ocorreu em plena luz do dia, há um mês, quando um morador de rua foi encontrado esfaqueado em cima da passarela do Horto.

De acordo com arquiteta especialista em restauração de patrimônio histórico e cultural, Perla Larsen, a intenção dos responsáveis pela pintura foi boa, porém, faltou critério. “Eu tenho que elogiar que tiveram boa intenção, queriam ajudar, mas isso deveria ser feito com uma assessoria específica, que poderia ter sido dada pela Fundac [Fundação Municipal de Cultura] e pelo Planurb [Instituto Municipal de Planejamento Urbano], que são órgãos de patrimônio”, explica.

Perla, que é uma das diretoras do IAB-MS (Instituto de Arquitetura de Mato Grosso do Sul), afirma que há dois impedimentos em se fazer a pintura dos tijolos do Horto. “Primeiramente, o arquiteto que fez o projeto original da praça é respaldado pela lei de direitos autorais, assim, ele deveria ter sido consultado. Outra questão é que o processo de tombamento, pelo qual passa o parque, determina que arquitetura seja preservada”, destaca.

Além de Perla, o presidente do IAB, Horácio de Almeida, também está engajado na preservação dos projetos arquitetônicos originais de Campo Grande. Segundo ele, as negociações com a Prefeitura estão bem adiantadas.

“Fomos recebidos pelo gestor da reforma do Horto, Valdir Gomes, que nos tratou com muita atenção”, ressaltou.

Valdir Gomes minimizou a reclamação dos arquitetos. Ele postou em sua página do Facebook que, em vista da repercussão da discussão, parecia que o Horto estava sendo demolido, ou seja, não era pra haver tanto impasse.

Além do Horto, outros prédios públicos já foram alvo de queixas por parte de arquitetos. Ângelo Arruda, por exemplo, citou a pintura, de alaranjado, do Mercado Municipal de Campo Grande. “Um gestor deve saber o que está fazendo para não sair destruindo a arquitetura da cidade”, termina.

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