Cotidiano

Após violência no parto, cabeleireira da Capital quer andar até Brasília

Protesto será por  melhores condições na saúde

Wendy Tonhati Publicado em 12/08/2015, às 12h57

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Protesto será por  melhores condições na saúde

A cabeleireira Edna Lima Bronze, de 38 anos, que em 2010 se acorrentou nas grades do Hospital Regional Rosa Pedrossian, para protestar contra o atendimento médico que recebeu, pretende ir caminhando de Campo Grande a Brasília, um total de 750 quilômetros. A viagem vai acontecer após ela ter o mesmo quadro clínico de cinco anos atrás e ser vítima de violência obstétrica.

Edna diz que pretende chamar a atenção da população para os impostos que são pagos, para as verbas que são destinadas à saúde e sobre os desvios de dinheiro público. “No sistema público de saúde é muita complicação. O objetivo é conscientizar a população. Saúde e educação são essenciais”.

A cabeleireira já é conhecida por conta de um protesto radical e bem-humorado que fez em 2010. Vestida de palhaça, ela se acorrentou nas grades do Hospital Regional e fez greve de fome, após ser vítima de um erro médico. Ela diz que após o protesto e de conseguir a cirurgia corretiva dois anos depois, ela procurou gestores da saúde pública, políticos e independentemente de partido, mas não viu nenhum avanço na questão da saúde pública do Estado e do município.

A caminhada até Brasília será feita após ela ter em abril deste ano, o mesmo problema que em 2010: gravidez tubária na trompa. Na época, ela procurou atendimento em um posto de saúde, não teve o diagnóstico imediato e acabou operada de uma apendicite e dois anos depois, ela passou por uma cirurgia reparatória.

Em abril deste ano, Edna sentiu dores e apresentou os mesmos sintomas de 2010. Ela diz que foi ao médico, foi medicada, ficou internada e recebeu alta.  Como já conhecia os sintomas e apresentava hemorragia, procurou outro médico, que determinou a internação dela em um hospital – que ela prefere não identificar. Depois disso, a cabeleireira diz que sofreu violência obstétrica durante a cirurgia. “Foi muita humilhação. A médica não olhou na minha cara, mandou outro colega me examinar. Eles ficaram ofendidos e começaram a gritar”, relembra.

Para fazer a viagem, a Edna adestrou três cachorros que vão seguir com ela. A previsão é de que a viagem dure mais de um mês. “Dá para caminhar 12 por dia. Mas com 8 horas por dias é mais fácil e são quase 30 dias”, diz. Questionada se está recebendo apoio, Edna diz que “a família está apavorada”. A viagem, que está sendo planejada há três anos, está marcada para a próxima semana, entre os dias 18 e 19. 

Jornal Midiamax