Cotidiano

#abusonobusão: reclamação cresce e empresas negam responsabilidade

Mais de 70 passageiras procuraram secretaria para reclamar de abusos nos ônibus

Evelin Cáceres Publicado em 10/07/2015, às 17h32

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Mais de 70 passageiras procuraram secretaria para reclamar de abusos nos ônibus

Apenas entre o último trimestre de 2014 e primeiro de 2015, mais de 70 mulheres procuraram a Secretaria Municipal da Mulher de Campo Grande para denunciar abusos dentro do transporte coletivo. Apesar da preocupação com as passageiras, o Consórcio Guaicurus informou que a única obrigação da empresa é “transportar os passageiros”.

Mesmo tendo a concessão do serviço por 20 anos e não pagarem imposto como o ISS, além de um faturamento previsto de R$ 2,6 bilhões, as empresas negaram responsabilidade pelos abusos. “A fiscalização é a Prefeitura, a Guarda Municipal que tem que fazer”, informou a assessoria do Consórcio.

De acordo com a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), em 2014 circulavam em Campo Grande 583 ônibus das empresas, com uma lotação de 215.860 passageiros por dia. Não há dados sobre 2015.

A lotação dos veículos em horário de pico é uma das desculpas para as “esbarradas”, que não se justificam para as entrevistadas. Uma delas, que preferiu não se identificar, disse que é possível perceber quando o gesto é intencional ou não. “Quando é acidente, a pessoa pede desculpa. Quando não é, o homem fica ali, se encostando toda hora. Aí a gente recorre para a famosa cotovelada”.

Preocupada com a situação, a Secretaria Municipal da Mulher implementou o programa “Busão sem abuso” no início do ano, em parceria com a Agetran. Motoristas e funcionários do transporte coletivo, além da Guarda Municipal receberam treinamento para atuar em casos de abuso.

Mas as mulheres geralmente não reclamam para os motoristas. “Uma vez eu vi um flagrante. A mulher começou a gritar, o homem desceu no primeiro ponto e ninguém fez nada. E ela mesma ligou para a Guarda Municipal. Mas em casos de passar a mão, por exemplo, eu vejo mulheres se afastando, mudando de lugar. É raro alguém gritar e pedir ajuda. Acho que por medo”, disse outra entrevistada.

Direitos

Em casos de abuso dentro do ônibus, as mulheres podem e devem comunicar o fato ao motorista do ônibus, que irá acionar a Guarda Municipal para que o veículo seja interceptado. Após a ação, a vítima e o acusado da agressão serão encaminhados para a DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

Outro caminho é ligar para o número 153, da Guarda Municipal ou 190, da Polícia Militar. O Consórcio também informou que nunca foi acionado judicialmente pela responsabilidade por nenhum abuso sexual dentro dos ônibus. 

Jornal Midiamax