Cotidiano

Em tempos de alvenaria, casas de madeira resistem em bairros da Capital

Apesar de o sonho da maioria das pessoas é ter uma casa de alvenaria, com cimento em tudo quanto é canto para ‘não sujar’, tem gente que resiste às modas, às regras e mantém a casa do jeito de antigamente. Com paredes de madeira e até piso de chão batido na varanda. Dona Marilda Ferreira […]

Arquivo Publicado em 24/01/2014, às 11h52

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Apesar de o sonho da maioria das pessoas é ter uma casa de alvenaria, com cimento em tudo quanto é canto para ‘não sujar’, tem gente que resiste às modas, às regras e mantém a casa do jeito de antigamente. Com paredes de madeira e até piso de chão batido na varanda.


Dona Marilda Ferreira Maeda, 60 anos, do lar, é uma dessas poucas pessoas. Na casa da bela-vistense, a modernidade fica para os eletrodomésticos que dão conforto e ajudam nas tarefas que ela mesma faz. “Aqui em casa não tem empregada não. Tudo sou eu e meu marido. Até as pinturas, a colagem do papel de parede fomos nós que fizemos”, diz.


A casa de madeira de demolição foi construída muito antes disso virar moda. Levantada há cerca de 20 anos, dona Marilda conta que foi o irmão que construiu. Ela explica que ele era sócio de uma empresa que construía pontes, e a madeira que já não servia mais foi para a construção da casa dela, e da do vizinho, que era sócio do irmão.


As duas casas se mantém do jeito que foram feitas. Na casa do vizinho, até a porteira de madeira permanece. A da dona Marilda precisou ser substituída, o que ele diz ser uma pena. “Precisei trocar, era a coisa mais linda do mundo”.


Apesar de alguns reparos necessários ele afirma que não troca a casa por nada. “Não tem casa de alvenaria que me encha os olhos. Adoro esse cantinho aqui. Minha casa é aconchegante, gostosa, igual casa de fazenda”, orgulha-se.


Sabendo que precisa de algumas reformas, diz que assim que puder quer forrar a casa toda e mandar pintar. O sonho era pintar com verniz náutico, mas o produto que deixa a madeira à mostra não cabe no orçamento. “Devo pintar com tinta mesmo, porque o verniz que aguenta tempo é muito caro”, explica.


Amor pela madeira


Questionada de onde vem o amor pela madeira, diz que o gosto é de família, já que muitos parentes também tem casa assim. “Tem uma prima que mora em Brasília que tem uma casa de madeira a coisa mais linda do mundo. Uma mansão, não é igual a minha casinha. Acho que a família gosta”, explica.


E o amor pela casa se traduziu em cada rincão. Todo cantinho tem algo especial, feita por ela. O altar para São João é uma homenagem clara de uma devota fervorosa. Ela conta que quer mesmo é construir uma gruta, mas em quanto não dá ele fica no cantinho junto com outros santos e anjos.


Cuidado com cupins


Um cuidado constante, revela, é com os cupins. Para não deixar que os insetos invadam a casa e destruam o lar, dona Marilda conta que constantemente ela e o marido, Lauro Maeda, 59 anos, passam veneno. “Nunca teve cupim aqui. Cuidamos muito”, finaliza.



Jornal Midiamax