O Paraguai afirmou nesta terça-feira que convocou o embaixador brasileiro credenciado junto ao país para apresentar explicações sobre uma “ação de inteligência” realizada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), contra os paraguaios, relacionada a negociações sobre a hidrelétrica de Itaipu, compartilhada pelos dois países.
“Convocamos o embaixador do Brasil no Paraguai, José Antônio Marcondes, para que ele ofereça explicações detalhadas sobre a ação de inteligência conduzida pelo Brasil, mediante a entrega de uma nota oficial que explique detalhadamente as ações desenvolvidas no marco dessa ordem, que foi colocada em prática pelo governo do Brasil”, afirmou o chanceler.
O Brasil reconheceu em comunicado na segunda-feira, 31, que uma operação autorizada pelo governo anterior, do presidente Jair Bolsonaro, havia ocorrido, mas garantiu que a ação foi posteriormente rescindida.
O caso foi revelado pela equipe de reportagem do portal UOL, que relatou um caso de espionagem do Brasil a autoridades do Paraguai.
O governo paraguaio disse que “considerando a declaração” do Brasil, decidiu convocar o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes, para “oferecer explicações detalhadas”.
O Paraguai também chamou de volta seu embaixador em Brasília, Juan Ángel Delgadillo, para consultas e atualização.
O país ainda anunciou a suspensão das negociações relacionadas a Itaipu “até que o Brasil preste os devidos esclarecimentos”
Entenda o caso:
A reportagem do UOL afirma ter tido acesso ao depoimento de um agente de inteligência que contou à Polícia Federal como montou servidores externos virtuais no Chile e no Panamá para promover ataques e extrair dados de autoridades paraguaias, ligadas ao Congresso e à Presidência.
O objetivo era subsidiar a decisão no Brasil sobre a negociações relativas à tarifa de energia da Itaipu Binacional e ao Anexo C do tratado, que passou por revisão após 50 anos para estabelecer as condições de uso da energia e a venda do excedente paraguaio ao País. Segundo o UOL, o agente disse ter obtido dados de cerca de cinco pessoas, como logins e senhas.
Outro lado
Em nota divulgada nesta segunda-feira, dia 31, o Itamaraty reconheceu que a operação ocorreu e foi interrompida quando a direção da Abin nomeada por Lula tomou conhecimento do caso.
“A citada operação foi autorizada pelo governo anterior, em junho de 2022, e tornada sem efeito pelo diretor interino da Abin em 27 de março de 2023, tão logo a atual gestão tomou conhecimento do fato”, disse o Ministério das Relações Exteriores. “O atual diretor-geral da Abin encontrava-se, naquele momento, em processo de aprovação de seu nome no Senado Federal, e somente assumiu o cargo em 29 de maio de 2023.”
O Itamaraty também negou que o presidente Lula tenha dado aval à operação.
“O governo do presidente Lula desmente categoricamente qualquer envolvimento em ação de inteligência, noticiada hoje, contra o Paraguai, país membro do Mercosul com o qual o Brasil mantém relações históricas e uma estreita parceria”, disse o MRE. “O governo do presidente Lula reitera seu compromisso com o respeito e o diálogo transparente como elementos fundamentais nas relações diplomáticas com o Paraguai e com todos seus parceiros na região e no mundo.”
*Com informações do portal UOL
✅ Siga o Jornal Midiamax nas redes sociais
Você também pode acompanhar as últimas notícias e atualizações do Jornal Midiamax direto das redes sociais. Siga nossos perfis nas redes que você mais usa. 👇
É fácil! 😉 Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.
💬 Fique atualizado com o melhor do jornalismo local e participe das nossas coberturas!