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No dia da eleição na Câmara, Bolsonaristas podem fazer caravanas pró-Lira no DF

Grupos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro organizam caravanas em direção a Brasília para pressionar pela eleição de Arthur Lira (Progressistas-AL) na presidência da Câmara. Na visão deles, o líder do Centrão é o único nome na disputa que pode levar adiante a adoção do voto impresso para as eleições presidenciais de 2022. O novo […]

Carolina Rocha Publicado em 15/01/2021, às 16h09

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Grupos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro organizam caravanas em direção a Brasília para pressionar pela eleição de Arthur Lira (Progressistas-AL) na presidência da Câmara. Na visão deles, o líder do Centrão é o único nome na disputa que pode levar adiante a adoção do voto impresso para as eleições presidenciais de 2022. O novo modelo de votação é bandeira de Bolsonaro, que tem colocado em xeque a lisura do sistema eleitoral brasileiro, mas sem apresentar provas.

“O dia mais importante para o Brasil”, “Vamos exigir Arthur Lira presidente da Câmara” e “Voto Impresso Já” são alguns dos dizeres dos cartazes usados para divulgar as excursões para o evento previsto para o dia da eleição, em 1º de fevereiro.

O Movimento Deus Pátria Família é um dos organizadores da manifestação. “Nosso intuito é superdemocrático. É para termos mais seriedade no nosso sistema de eleição”, afirmou o empresário Marlan Gustavo, um dos coordenadores. Os manifestantes acreditam que Lira poderá dar encaminhamento a uma proposta da deputada Bia Kicis (PSL-DF) sobre o tema que tramita na Casa. O parlamentar já sinalizou que, uma vez eleito, pautará a medida.

Segundo Gustavo, entre 25 e 30 caravanas, com até 56 pessoas cada uma, já estão confirmadas, com saídas agendadas de diversas cidades do País para a manifestação que dever ocorrer na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso. Ele pretende levar carros de som e cartazes sobre o voto impresso para exibir durante o ato.

“A gente entende que se um candidato não estiver aliançado com esse pensamento, ele não será pautado e se não for em 2021, em 2022 não tem validade”, disse Gustavo, se referindo à regra da anualidade – qualquer mudança no sistema eleitoral só é válida se aprovada até um ano antes da votação.

Lira, candidato apoiado por Bolsonaro, defendeu, no fim do ano passado, a possibilidade de se testar o voto impresso nas eleições. O deputado disse que a medida poderia servir para acabar com “versões” que questionam a segurança da urna eletrônica.

“Eu não acredito em fraude no processo eleitoral, mas quem não tem fraude não se nega a provar que o processo é lícito”, disse Lira em entrevista à rádio CBN. “Eu não devo nada a ninguém com relação ao processo eleitoral. Eu confio no processo eleitoral e, por ser um processo confiável, não vejo por que não acabar com o que tem de pior na política, que são as versões.”

Bolsonaro afirmou em março do ano passado que a disputa em 2018 foi fraudada e, caso contrário, teria sido eleito ainda no primeiro turno. Na ocasião, disse que apresentaria provas, o que nunca o fez. Em declarações recentes, disse que se o Brasil não adotasse o modelo de voto impresso, o Brasil pode ter um “problema pior” que o registrado nos Estados Unidos, em que apoiadores de Donald Trump invadiram a sede do Legislativo dos Estados Unidos, o Capitólio, por não aceitarem a vitória de Joe Biden.

O presidente já disse que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição de Kicis deve ser uma das prioridades do governo no Congresso neste ano. A PEC já foi aprovada na Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça (CCJ) da Câmara e depende agora da criação de uma comissão especial, a ser constituída pelo próximo presidente da Câmara, para avançar. A adoção do modelo teria um custo de R$ 2,5 bilhões aos cofres públicos ao longo de dez anos, segundo estimativas feitas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Deputados da base de apoio de Bolsonaro também devem participar da manifestação no dia da eleição, mas apontam também outros motivos, além da defesa do voto impresso, para o apoio popular ao líder do Centrão. “Essa manifestação é meio que contra o Rodrigo Maia (o atual presidente da Câmara), é um ‘tchau querido'”, afirmou a deputada Carla Zambelli (PSL-SP). Ela disse não participar da organização do evento, mas que “com certeza” irá comparecer.

Daniel Silveira (PSL-RJ) também deve se juntar aos manifestantes no dia. Ele esteve ao lado de Kicis em outra manifestação, na Esplanada dos Ministérios, pelo voto impresso, no início de dezembro.

Jornal Midiamax