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Nas fases tardias da doença, cloroquina não têm efeito, apenas na inicial, diz Mayra

Em depoimento à CPI, secretária afirmou que ela e familiares usarem medicamento ineficaz contra coronavírus

Estadão Conteúdo Publicado em 25/05/2021, às 14h21

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Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, voltou a afirmar que a cloroquina não tem efeitos na fase tardia da doença. A secretária ainda defende, no entanto, que o uso do medicamento em fases iniciais da doença deveria ser o preconizado para o tratamento da covid.

Mayra voltou a culpar o estudo sobre cloroquina realizado em Manaus, que levou a óbito 22 pessoas, como algo que teria "estigmatizado" o medicamento. Segundo ela, o estudo, ao invés de mostrar "resultados positivos", usou critérios metodológicos inadequados, que acabaram por mostrar resultados que foram negativos, "mortes e desfechos desfavoráveis".

A médica também declarou que os medicamentos como cloroquina e ivermectina não curam a covid, mas reduzem internações e óbitos. Para Mayra, "não podemos esperar o mais alto nível da evidência, porque ela não vem. Num curto espaço de tempo, nós temos que enfrentar a doença com o que nós temos hoje", declarou. A secretária também advogou a favor do uso de medicamentos fora da bula, que, segundo ela, se fossem proibidos, resultariam na paralisação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Mayra voltou a afirmar que ainda não foi vacinada contra covid-19 por ter contraído a doença pouco antes de sua imunização, e que agora está esperando o intervalo de 30 dias entre a doença e a primeira aplicação da vacina.

A secretária disse ainda que ela e familiares próximos fizeram o uso dos medicamentos que não têm eficácia comprovada contra a covid-19 quando contraíram a doença.

"Aqueles que se submeteram ao tratamento precoce, graças a Deus, todos evoluíram". Entre eles, Mayra destacou o exemplo do pai. "Ele ficou muito grave. Ainda permanece internado na UTI. Ele tinha uma doença de base, um câncer na próstata. Minha mãe também com várias comorbidades". "Meu pai, a despeito do internamento na UTI, permanece vivo e nos próximos dias deverá voltar para casa", afirmou.

Diante do encaminhamento das respostas ao senador Jorginho Mello (PL-SC), aliado do governo, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), alertou os presentes na comissão a não fazerem qualquer tipo de recomendação de medicamento sem eficácia comprovada. "Temos que ter cuidado", disse Aziz.

Jornal Midiamax