Brasil

Guedes e presidente do Banco Central tem empresas em paraísos fiscais, diz reportagem

Série de reportagens revelaram economia que beneficia os ricos e as elites às custas dos demais

Fábio Oruê Publicado em 03/10/2021, às 16h49

Guedes foi um dos nomes citados nos documentos vazados pelas reportagens
Guedes foi um dos nomes citados nos documentos vazados pelas reportagens - Foto: Divulgação

Série de reportagens da revista Piauí expôs que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mantém empresas offshores, aquelas em países onde há menor tributação para fins lícitos. Ambas as empresas foram mantidas mesmo após a entrada deles no governo federal. 

De acordo com a reportagem, Guedes não respondeu se fez investimentos após assumir o cargo, algo que desrespeitaria normas do serviço público e da Lei de Conflito de Interesses, mas sua empresa segue em funcionamento.

Já Campos Neto também manteve offshores por 15 meses após assumir seu cargo, mas disse que respeitou as normas e não realizou investimentos a partir do momento em que entrou no governo.

Guedes e Campos Neto atuaram na decisão que alterou as regras para donos de offshores, quando se elevou o limite do valor depositado no exterior que precisa declarado. De acordo com a "Pandoras papers", nome dado à série de publicações, essa decisão pode representar um conflito de interesses.

As empresas de Guedes e de Campos Neto estão sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal onde não se cobra impostos de offshores, relata o Poder360 - site que também fez as apurações. 

O site lembra que é "legítimo ter uma offshore no Brasil, desde que ela seja declarada à Receita Federal e ao Banco Central, e o dinheiro tenha origem lícita". "Quem tem cargo público, no entanto, está sujeito a regras para impedir o autofavorecimento."

Pandoras Papers

O El País classificou a série de reportagens como a maior parceria jornalística da história, que revelaram os segredos financeiros de 35 atuais e antigos líderes mundiais e mais de 300 ocupantes de cargos públicos em mais de 90 países e territórios, além de um elenco global de foragidos, estelionatários e homicidas.

Os milhões de documentos secretos vazados expõem as transações offshore do rei da Jordânia, dos presidentes da Ucrânia, Quênia e Equador, do primeiro-ministro da República Tcheca e do ex-premiê britânico Tony Blair. Os arquivos também detalham atividades financeiras do “ministro extraoficial de propaganda” do presidente russo, Vladimir Putin, e de mais de 130 bilionários da Rússia, Índia, Estados Unidos, México e outros países.

Jornal Midiamax