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Sem explicar acusações de Moro, Bolsonaro reclama de investigações da PF: ‘não preciso autorização de ninguém’

Após o ex-juiz federal Sergio Moro pedir demissão do cargo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez pronunciamento na tarde desta sexta-feira (24) sobre o assunto. Em sua fala, ao lado de ministros, Bolsonaro atacou o ex-juiz federal afirmando que ele tem compromisso apenas com seu ego e também disse que “autonomia não é sinal […]

Aliny Mary Dias Publicado em 24/04/2020, às 16h20 - Atualizado às 16h58

Foto: Agência Brasil.
Foto: Agência Brasil. - Foto: Agência Brasil.

Após o ex-juiz federal Sergio Moro pedir demissão do cargo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez pronunciamento na tarde desta sexta-feira (24) sobre o assunto. Em sua fala, ao lado de ministros, Bolsonaro atacou o ex-juiz federal afirmando que ele tem compromisso apenas com seu ego e também disse que “autonomia não é sinal de soberania”. O presidente também falou sobre investigação da Polícia Federal a respeito da facada que levou durante campanha eleitoral.

O presidente começou o discurso afirmando que sabia que a relação com Moro no Ministério da Justiça, que foi elevado a superministério agregando a Segurança Pública, não seria fácil. “Uma coisa é admirar outra é conviver com ela”.

Bolsonaro disse que mais cedo, quando conversava com ministros no café da manhã, alertou que hoje todos iria “conhecer a pessoa que tem compromisso com seu ego, consigo próprio e não com o Brasil, hoje essa pessoa vai buscar uma maneira de botar uma cunha entre eu e o povo brasileiro”, disse.

Na sequência dos ataques, o presidente relembrou quando conheceu Moro e que no primeiro contato, em março de 2017 em um aeroporto, o então juiz federal não cumprimentou Bolsonaro. “Confesso que fique triste porque ele era um ídolo para mim, eu era apenas um humilde deputado”.

Bolsonaro então relembrou que durante a campanha eleitoral à Presidência viu aproximação com Moro, mas que não queria se aproveitar do prestígio dele para conseguir vitória. “Não participou da minha campanha, ter autonomia não é sinal de soberania”.

O presidente também falou sobre o que gerou a crise que culminou na demissão, a nomeação de Maurício Valeixo para direção geral da Polícia Federal. Bolsonaro relembrou que apesar de legalmente o cargo ser indicação do presidente, ele abriu mão par deixar a nomeação nas mãos de Moro e que não precisa da autorização de ninguém para nomear direção da PF.

Bolsonaro também reclamou das indicações da cúpula das polícias, inclusive PRF, serem todos de Curitiba, onde Moro desenvolveu sua carreira federal. “Será que todos os melhores quadros estavam no Paraná?”, questionou.

Ainda em tom de ataque, Bolsonaro afirmou que as investigações sobre a facada que levou durante campanha eleitoral ainda não terminaram e relacionou seu caso com a morte da vereadora carioca Marielle Franco. “Entre o meu caso e o da Marielle, o meu está muito mais fácil de ser resolvido porque o autor do crime está preso”.

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