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‘Não tem sentido’, diz cientista de MS sobre exigências da Anvisa para vacinas

O pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e médico infectologista Júlio Croda afirmou nesta terça-feira (29), em entrevista a Globo News, que não vê sentido nas exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para avaliar a aprovação emergencial de vacinas contra Covid-19. “Não tem sentido nenhum, ainda mais que a gente tem duas agências […]

Guilherme Cavalcante Publicado em 29/12/2020, às 16h23

Infectologista Júlio Croda | Foto: Wilson Dias, Arquivo, Agência Brasil
Infectologista Júlio Croda | Foto: Wilson Dias, Arquivo, Agência Brasil - Infectologista Júlio Croda | Foto: Wilson Dias, Arquivo, Agência Brasil

O pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e médico infectologista Júlio Croda afirmou nesta terça-feira (29), em entrevista a Globo News, que não vê sentido nas exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para avaliar a aprovação emergencial de vacinas contra Covid-19.

“Não tem sentido nenhum, ainda mais que a gente tem duas agências que são até superiores em termos de avaliação do que a Anvisa, o FDA (A “anvisa” dos EUA) e a agência europeia, aprovando isso, a agência do Reino Unido também”, afirmou Croda.

O pesquisador se refere à vacina da Pfizer, que já está sendo aplicada no Reino Unido. “Não tem nenhum sentido essa vacina da Pfizer não ser aprovada pela Anvisa e as exigências serem superiores a essas outras agências”, reforçou.

O pesquisador também criticou afirmação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de que os laboratórios é que teriam que procurar os governos para venderem as vacinas. Croda também afrmou que faltou planejamento do Governo Federal para garantir doses suficientes para início da imunização. A Pfizer, por exemplo, tentará registro da vacina, porém, Croda ressaltou que não haverá quantitativo suficiente para o Brasil.

“A previsão, que está no próprio plano nacional [de vacinação], é de 8,5 milhões de doses. Não dá nem para a gente terminar a fase 1 do nosso plano de vacinação”, afirmou o pesquisador. “Infelizmente, o Brasil errou lá no passado, não fez nenhum termo de cooperação com outras empresas. Vamos ter uma falta de vacinas para os países pobres, para a África, Ásia e alguns países da América do Sul como o Brasil. A gente colocou nossas esperanças em duas vacinas”, concluiu.

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