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Mapa pede que alerta sobre alimentos ultra processados seja retirado do Guia de Alimentação da População Brasileira

O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) pediu para que o Guia Alimentar para a População Brasileira seja “revisado urgente”, por fazer alertas sobre recomendações de alimentos industrializados. O Mapa também criticou os alimentos in natura e ainda chamou o guia de “um dos piores do mundo”. O pedido de revisão foi feito na […]

Danielle Errobidarte Publicado em 17/09/2020, às 17h58

Ministra do Mapa, Tereza Cristina se reuniu com presidente da Abia. (Foto: Reprodução/ Adriano Machado Reuters)
Ministra do Mapa, Tereza Cristina se reuniu com presidente da Abia. (Foto: Reprodução/ Adriano Machado Reuters) - Ministra do Mapa, Tereza Cristina se reuniu com presidente da Abia. (Foto: Reprodução/ Adriano Machado Reuters)

O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) pediu para que o Guia Alimentar para a População Brasileira seja “revisado urgente”, por fazer alertas sobre recomendações de alimentos industrializados. O Mapa também criticou os alimentos in natura e ainda chamou o guia de “um dos piores do mundo”.

O pedido de revisão foi feito na última terça-feira (15), quase dois meses após a ministra Tereza Cristina ter feito uma reunião com o presidente executivo da Abia (Associação Brasileira de Indústria de Alimentos), João Dornellas.

O Ministério emitiu uma nota técnica criticando a classificação do Guia ao separar produtos em quatro níveis de processamento. Em um deles – o dos alimentos ultra processados – o alerta é para os riscos em açúcares, sódio e gordura para composições industriais.

Segundo a pasta, “pesquisas demonstram que não existem evidências de que o valor nutricional e saudabilidade de um alimento estejam relacionados aos níveis de processamento”.

Na nota técnica, o Mapa ainda chama a o guia alimentar brasileiro de “um dos piores do mundo”, contrariando a avaliação feita por instituições internacionais que o desenvolveram.

Outro lado

De acordo com o Nupens/USP (Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo), que ajudou o Ministério da Saúde a formular as diretrizes, organismos técnicos das Nações Unidas, como FAO, OMS e Unicef “consideram o guia brasileiro um exemplo a ser seguido”.

O grupo de pesquisadores diz ainda que as diretrizes do País inspiraram os guias alimentares de nações como Canadá, França e Uruguai.

O Nupens/USP afirmou ser “absurda e desrespeitosa” a avaliação do guia alimentar feito pelo Mapa e disse confiar o que o Ministério da Saúde e a sociedade brasileira “saberão responder à altura ao que se configura como um descabido ataque à saúde e à segurança alimentar e nutricional do nosso povo”.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

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