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Cônsul geral de Israel em SP repudia comparação polêmica de Weintraub

O cônsul geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi, repudiou as comparações feitas pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, entre as operações da Polícia Federal (PF) no inquérito das fake news e os crimes cometidos pela Alemanha nazista. A comparação foi feita por Weintraub em uma postagem no Twitter nessa quarta-feira (27). “O Holocausto, […]

Matheus Maderal Publicado em 28/05/2020, às 11h57

O cônsul geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi. (Reprodução/Shalon Brasil)
O cônsul geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi. (Reprodução/Shalon Brasil) - O cônsul geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi. (Reprodução/Shalon Brasil)

O cônsul geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi, repudiou as comparações feitas pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, entre as operações da Polícia Federal (PF) no inquérito das fake news e os crimes cometidos pela Alemanha nazista. A comparação foi feita por Weintraub em uma postagem no Twitter nessa quarta-feira (27).

“O Holocausto, a maior tragédia da história moderna, onde 6 milhões de judeus, homens, mulheres, idosos e crianças foram sistematicamente assassinados pela barbárie nazista, é sem precedentes. Esse episódio jamais poderá ser comparado com qualquer realidade política no mundo”, escreveu Lavi.

O cônsul ainda compartilhou publicações do Museu do Holocausto de Curitiba, com materiais sobre o Holocausto. Os tuítes acompanhavam uma arte com os dizeres “Não é apenas uma nota de repúdio”.

“Num contexto atual, em que o triste episódio da “Noite dos Cristais” tem sido utilizado como analogia inoportuna a operações realizadas por instituições democráticas autônomas, o Museu do Holocausto de Curitiba opta não apenas por repudiar, mas contribuir com o crescimento da nossa sociedade por meio do conhecimento histórico. Na total impossibilidade de dialogar com figuras e entidades que diariamente se recusam a compreender a essência do nazismo e insistem em utilizá-lo como recurso retórico para atacar seu espectro político “rival”, apresentamos conteúdos básicos em língua portuguesa, de fácil leitura e adequados para pessoas com qualquer grau de erudição ou de escolaridade”, escreveu o perfil oficial do museu no Twitter.

O ministro da Educação de Bolsonaro se encontra em uma situação delicada com os juizes da Suprema Corte, principalmente após chamá-los de “vagabundos” e defender a prisão dos decanos – como revelado pelo vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, no âmbito das investigações sobre suposta interferência política do presidente na PF.

Entre ontem e hoje, o ministro comparou a operação da PF no inquérito das fake news com o nazismo pelo menos duas vezes. Na quarta-feira (27), Weintraub escreveu que o dia da operação seria lembrado como “a Noite dos Cristais brasileira”.

Hoje de manhã o ministro publicou nas redes sociais uma foto de militares nazistas apontando armas para um grupo de judeus com uma mensagem comparando a cena ao Brasil atual.

“Primeiro, nos trancaram em casa. Depois, brasileiros honestos buscando trabalho foram algemados. Ontem, 29 famílias tiveram seus lares violados! Sob a mira de armas, pais viram suas crianças e mulheres assustadas terem computadores e celulares apreendidos! Qual o próximo passo?”, escreveu Weintraub.

Jornal Midiamax