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Bolsonaro quer alguém na PF que passe pra ele detalhes das investigações, revela Sérgio Moro

O ex-juiz federal e pai da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, anunciou nesta sexta-feira (24) que deixa o Ministério da Justiça porque Jair Messias Bolsonaro exonerou o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Moro denunciou que o presidente queria alguém que lhe passasse detalhes das investigações policiais sigilosas, como casos de combate à corrupção de […]

Evelin Cáceres Publicado em 24/04/2020, às 10h51 - Atualizado às 12h07

(Foto: Alan Santos/Presidência da República)
(Foto: Alan Santos/Presidência da República) - (Foto: Alan Santos/Presidência da República)

O ex-juiz federal e pai da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, anunciou nesta sexta-feira (24) que deixa o Ministério da Justiça porque Jair Messias Bolsonaro exonerou o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Moro denunciou que o presidente queria alguém que lhe passasse detalhes das investigações policiais sigilosas, como casos de combate à corrupção de políticos.

“Presidente disse que queria alguém do contato pessoal dele, para ligar, colher informações, colher relatórios de inteligência. Não é o papel da PF prestar esse tipo de investigação. Imagine se na Lava Jato ministros e presidentes, a presidente Dilma, ficassem ligando para o superintendente em Curitiba para colher informações”, revelou.

“Num domingo qualquer, lembro que Valeixo recebeu uma ordem de soltura ilegal do ex-presidente Lula, condenado por corrupção e preso, emitida por um juiz incompetente. Foi graças a autonomia de Valeixo que ele comunicou as autoridades e foi possível rever a ordem.”

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Em outro trecho da coletiva, Moro criticou a falta de autonomia da Polícia Federal na gestão de Bolsonaro. “Foi garantida a autonomia da Polícia Federal durante as investigações. O governo da época [Dilma Rousseff, PT] tinha inúmeros defeitos, crimes de corrupção, mas foi fundamental a manutenção da autonomia da PF para que fosse realizado o trabalho.”

“No fim de 2018, recebi convite de Bolsonaro, recém-eleito. Fui convidado a ser ministro da Justiça e Segurança Pública. Foi conversado que teríamos o compromisso com o combate à corrupção, crime organizado e criminalidade violenta. Foi-me prometido carta branca para nomear todos os assessores como a PRF e a PF.”, destacou.

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