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Bolsa fecha em leve alta de 0,05% e avança 0,17% na semana

O Ibovespa encerrou a sessão e a semana bem perto da estabilidade, refletindo a cautela que se impôs aos investidores em agosto, interrompendo até aqui quatro meses de recuperação vigorosa desde as mínimas de março, o ponto alto do “ajuste Covid”. Nesta sexta-feira (21) os dados de atividade mais fracos na Europa, no momento em […]

Agência Estado Publicado em 21/08/2020, às 17h49

Imagem ilustrativa. (Foto: reprodução/Agência Brasil)
Imagem ilustrativa. (Foto: reprodução/Agência Brasil) - Imagem ilustrativa. (Foto: reprodução/Agência Brasil)

O Ibovespa encerrou a sessão e a semana bem perto da estabilidade, refletindo a cautela que se impôs aos investidores em agosto, interrompendo até aqui quatro meses de recuperação vigorosa desde as mínimas de março, o ponto alto do “ajuste Covid”. Nesta sexta-feira (21) os dados de atividade mais fracos na Europa, no momento em que o número de casos de covid-19 volta a crescer no continente, contribuíram para que o Ibovespa seguisse em baixa moderada a maior parte do dia, indiferente aos leves ganhos em Nova York e à leitura acima do topo das expectativas para o Caged em julho, celebrada pelo ministro Paulo Guedes como notícia “extraordinária” que mantém a economia no caminho de retomada em V.

Ao fim, o índice da B3 ficou praticamente no zero a zero, aos 101.521,29 pontos, em leve alta de 0,05% no fechamento desta sexta-feira, avançando 0,17% na semana e cedendo 1,35% no mês, com ajuste negativo a 12,21% no ano. O giro financeiro da sessão totalizou R$ 24,2 bilhões. Ao neutralizar as perdas observadas quase até o fim da sessão, o Ibovespa impediu a terceira semana de ajuste negativo, com variações contidas no intervalo, vindo de baixa de 1,38% na semana passada e de 0,13% na anterior.

Apesar de a Câmara dos Deputados, conforme esperado, ter retomado ontem o veto presidencial a aumentos salariais para o funcionalismo até o fim de 2021 – o que traz algum alívio à percepção de risco -, a situação fiscal permanece como principal incógnita para a precificação dos ativos, na medida em que é parte do problema e também da solução, no que diz respeito ao ritmo de retomada do nível de atividade, observa o economista Renato Chain, da Parallaxis Economia.

“Ainda que se tenha alguma melhora em indicadores de confiança do empresariado, temos uma capacidade ociosa ainda alta, assim como o desemprego, e uma recuperação acumulada nas carteiras que veio muito na frente (da retomada da economia), com um componente especulativo forte desde as mínimas de março. Em algum momento, tem que ajustar”, diz Chain. Ele observa que a situação fiscal resultou em inclinação da ponta longa da curva de juros, e a partir deste movimento “inflacionam-se ou desinflacionam-se os outros ativos”.

Para dar sustentação à retomada do nível de atividade, o governo está diante de um “trade off” de sintonia complexa, observa Chain: se retirar os estímulos ao consumo que põem em risco o equilíbrio fiscal, joga no chão a incipiente retomada em meio à pandemia; se perpetuá-los em níveis insustentáveis para as contas públicas, a resposta tem sido a observada nos preços dos ativos – inclinação dos juros, depreciação do real e desorientação para o Ibovespa.

Nesta sexta, as ações de Vale (-1,19%) e siderurgia, com perdas até cerca de 3%, passaram por uma realização, mas ainda retendo desempenho positivo na semana (Vale ON +1,39%, Usiminas PNA +9,00% e Gerdau PN +9,39%) , enquanto que as de Petrobras (PN e ON) foram para o negativo na semana (-0,49% e -0,73%) com o desempenho desta sessão, ao fecharem, respectivamente, em baixa de 0,75% e 0,77%, em dia ruim para os preços da commodity. Na ponta do Ibovespa, IRB subiu hoje 12,31%, seguida por Hering (+9,99%) e Qualicorp (+7,81%). No lado oposto, Gerdau PN (-2,91%), Gerdau Metalúrgica (-2,59%) e Carrefour (-2,37%). As ações de bancos tiveram desempenho misto (Itaú PN -0,17% e BB ON + 0,92%).

Jornal Midiamax