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Sem água: moradores de São Paulo voltam a sofrer com redução

No final da noite a água que corre pelos canos se torna raridade, continuar a rotina é correr o risco de não ter água para tomar banho de manhã. Essa é a realidade de muitas famílias de São Paulo, que voltam a sofrer com o racionamento de água. Moradores dos bairros Saúde e do Planalto […]

Dândara Genelhú Publicado em 27/09/2019, às 09h11

Foto: Divulgação/ Sabesp
Foto: Divulgação/ Sabesp - Foto: Divulgação/ Sabesp

No final da noite a água que corre pelos canos se torna raridade, continuar a rotina é correr o risco de não ter água para tomar banho de manhã. Essa é a realidade de muitas famílias de São Paulo, que voltam a sofrer com o racionamento de água.

Moradores dos bairros Saúde e do Planalto Paulista reclamam da redução do abastecimento de água durante a noite. A empresa responsável é a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que afirma fazer as reduções noturnas para conter o desperdício de água nos vazamentos.

Mesmo sendo território de grandes cruzamentos fluviais, São Paulo já enfrentou várias crises com a falta de água. Sabesp e o então governador Geraldo Alckmin colocaram em prática algumas medidas emergenciais, como obras nos reservatórios, reconhecimento e premiação dos usuários mais econômicos, instalações de válvulas redutoras de pressão, que são acionadas à noite.

Medida eficaz?

As medidas de redução de pressão foram implantadas como medidas provisórias, entretanto com a preocupação de novas crises, se tornou permanente. Embora reduza a perda de água, especialistas apontam riscos à saúde dos cidadãos.

Em entrevista para o Yahoo Notícias, o professor da USP e do programa de mestrado em gestão ambiental na Uninove, Pedro Côrtes, explica que podemos destacar três problemas causados pela medida de redução: risco de contaminação do sistema, de aumento nas falhas existentes e falta de informação aos consumidores.

“Quando despressuriza a rede os tubos ficam vazios, e o mesmo buraco por onde saía água tratada permite que a água do solo penetre na tubulação”, explica.

Para o portal, a moradora do Planalto Paulista, Silvana Helican confirma que no início da manhã a água está esbranquiçada. A solução para utilizar a água é desperdiçando parte da mesma. “Deixa a torneira aberta e depois de um tempo fica normal”, comenta Silvana.

Sem caixa-d’água, sem água

Muitos moradores reclamam nunca ter recebido informações sobre a redução da água durante a noite. Os que possuem caixa-d’água conseguem manter parte da rotina, já os que não tem condições para fazer o investimento, acabam sofrendo.

No site oficial, a Sabesp afirma ter consciência de que a redução pode afetar de forma significativa os cidadãos. “É sabido que para uma minoria da população (bem menos de 1%), formada em geral pelos que moram em pontos elevados ou que não possuem caixa-d’água, a redução de pressão pode significar longas horas sem água nas torneiras”.

Questionada pela reportagem do Yahoo Notícias, a empresa enviou uma nota afirmando ter feito vistoria nos bairros mencionados e que a medição de pressão esteve dentro da norma. A solução oferecida para os moradores é a instalação da caixa-d’água.

“A Sabesp orienta aos moradores que conectem torneiras, chuveiros, máquina de lavar e todos os equipamentos hidráulicos à caixa-d’água, como determina a norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), com reservação suficiente para a demanda do imóvel para 24 horas”.

Jornal Midiamax