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Bolsonaro teve grave perfuração no intestino grosso e fez colostomia; entenda

G1 O candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) foi ferido com uma facada na tarde desta quinta-feira (6) na cidade de Juiz de Fora (MG). De acordo com cirurgião especializado ouvido pelo G1, esse tipo de lesão é grave, mas a recuperação dependerá de como o corpo irá reagir no pós-operatório. Ele pode ficar até […]

Diego Alves Publicado em 06/09/2018, às 22h07 - Atualizado em 07/09/2018, às 09h37

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G1

O candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) foi ferido com uma facada na tarde desta quinta-feira (6) na cidade de Juiz de Fora (MG). De acordo com cirurgião especializado ouvido pelo G1, esse tipo de lesão é grave, mas a recuperação dependerá de como o corpo irá reagir no pós-operatório. Ele pode ficar até 3 meses com uma bolsa externa ligada ao intestino – entenda os motivos abaixo.

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O quadro de Bolsonaro:

A lesão no fígado foi descartada após laparotomia exploradora – quando os médicos abrem a barriga para checar quais foram os órgãos afetados;

O candidato teve um choque hipovolêmico – quando há perda severa de sangue. Após o procedimento médico, o sangramento foi controlado.

Ocorreu uma lesão de uma veia na região do abdômen, controlada pelos médicos;

Ocorreu uma lesão transfixante (perfuração) grave no intestino grosso, com importante contaminação fecal, que foi resolvida pelos médicos (fechada);

Ocorreram três lesões no intestino delgado, que também foram suturadas pelos médicos;

Ele fez uma colostomia temporária para evitar uma infecção no intestino grosso.

De acordo com o médico Luiz Henrique Borsato, da equipe que atendeu Jair Bolsonaro na Santa Casa de Juiz de Fora, o candidato não deverá ter alta hospitalar antes de “uma semana ou 10 dias”.

“Foi feita a abertura da barriga (laparotomia exploradora), mas como tinha muito sangue, a primeira ideia era que poderia ser uma lesão do fígado, que é um órgão que sangra muito. Mas foi uma lesão de uma veia no abdômen”, disse o cirurgião Flávio Quilici, presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia.

Quilici explica que a lesão do intestino grosso é a que precisa de mais atenção. Como é por ali que acontece a passagem das fezes, é necessário fazer um desvio para que não ocorra uma infecção quando passar pelos pontos.

“O problema é que a lesão do cólon (intestino grosso), como perfurou e tem fezes na região, pode contaminar a barriga. Isso obriga, para garantir a segurança do paciente, a fazer um desvio das fezes”, explica.

“O local onde ocorreu a lesão foi muito agredido e extravazou uma quantidade grande de fezes para a cavidade abdominal, acarretando uma contaminação. Aquela área não podia ser recuperada e ela foi retirada”.

A colostomia é um procedimento que encaminha as fezes e os gases do intestino grosso para uma bolsa fora do corpo, na região abdominal. A ideia é evitar a passagem das fezes pelos ferimentos, o que poderia causar uma infecção no local da perfuração e/ou uma reabertura das feridas.

O paciente poderá ficar alguns meses com a bolsa. Neste caso, não é um procedimento permanente.

“É grave. Foi atendido rapidamente e foi operado rapidamente. Os riscos que ele passa a correr são os de a veia voltar abrir, além das infecções”, disse Quilici.

Segundo Quilici, a colostomia temporária requer uma série de cuidados. “Isso vai interferir e muito em como ele vai se movimentar na campanha. Ele estará hospitalizado, depois tem um tempo de recuperação, e precisa estar sempre cuidando do líquido que sai para a bolsa”.

Jornal Midiamax