Brasil

‘Vida Loka’, número 2 do PCC, é condenado a mais 47 anos de prisão

Preso no RN, Abel Pacheco foi julgado em SP por videoconferência

Midiamax Publicado em 05/05/2017, às 18h51

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Preso no RN, Abel Pacheco foi julgado em SP por videoconferência

Abel Pacheco de Andrade, conhecido como ‘Vida Loka’ e apontado por autoridades que investigam o crime organizado como o número 2 do PCC (Primeiro Comando da Capital), foi condenado, nesta quarta-feira (3), a 47 anos, sete meses e 15 dias de prisão pelos assassinatos de dois desafetos da facção paulista em 2004.

A sentença foi dada pelo juiz Gustavo Esteves Ferreira, da 5º Vara do Júri do Fórum da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, por videoconferência, publicou o G1.

‘Vida Loka’ está detido na Penitenciária Federal de Mossoró, onde cumpre penas por outros crimes. Pela lei, o tempo máximo que uma pessoa pode ficar presa no Brasil é de 30 anos.

Os sete jurados que condenaram Abel ouviram o interrogatório do réu do presídio no RN por um monitor de TV instalado na sala de videoconferência no fórum paulistano. O acusado negou ter ordenado a execução de dois homens quando esteve preso em São Paulo.

O júri o considerou culpado pelos assassinatos de Nilton Fabiano dos Santos, o Midas, e de Rogério Rodrigues dos Santos, o Digue, em 5 de outubro de 2004, no Rio Pequeno, Zona Oeste de São Paulo.

Ao G1, o advogado de Vida Loka, Lindenberg Pessoa de Assis, falou que irá recorrer da decisão judicial que condenou seu cliente. “Primeiro porque ele é inocente e, segundo, porque os jurados haviam absolvido ele numa primeira votação, mas o juiz pediu nova votação e o Abel acabou condenado”, disse Lindenberg.

Número 3

Outro mandante do crime, Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, foi julgado em separado no mesmo processo. Considerado o número 3 do PCC, Gegê havia sido condenado em 3 de abril a mesma pena do comparsa Vida Loka: 47 anos, sete meses e 15 dias (veja vídeo acima).

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça gravaram Vida Loka conversando por celular da Penitenciária de Iaras, interior de São Paulo, com Gegê. Elas revelam os dois ordenando as execuções de Midas e Digue. O motivo: eles teriam matado traficantes do PCC, conhecidos na comunidade do Sapé como Miracatu e Zóio de Gato, na disputa por pontos de vendas de drogas.

Na conversa, eles determinam que Carlos Antonio da Silva, o Balengo, e Cristiano Jeremias de Simone, o Cris do Mangue, irmão de Gegê, executassem os desafetos da quadrilha.

Balengo foi morto pela Polícia Militar (PM) em 2008 numa suposta troca de tiros durante assalto a banco em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo.

Fuga ao Paraguai e roubo milionário

Como Gegê não compareceu ao próprio julgamento, ele foi julgado à revelia. Atualmente é considerado foragido da Justiça e aparece na lista do site de mais procurados da Polícia Civil de São Paulo.

O Ministério Público (MP), responsável por acusar e denunciar os dois criminosos à Justiça pelos homicídios dos inimigos, suspeita que Gegê tenha fugido para o Paraguai. No dia 24 de abril, criminosos roubaram US$ 11,7 milhões (mais de R$ 36,8 milhões) da transportadora de valores Prossegur em Ciudad del Este.

Autoridades brasileiras e paraguaias investigam se o PCC e Gegê participaram do mega-assalto. Além do tráfico de drogas, a facção criminosa que age dentro e fora dos presídios paulista usa o dinheiro de roubos como fonte de renda.

Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, é considerado o número 1 na liderança da quadrilha. Ele também está preso por uma série de crimes.

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