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Presos quebram grades e iniciam nova rebelião no RN

Os rebelados estão ateando fogo em colchões

Diego Alves Publicado em 19/01/2017, às 01h27

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Os rebelados estão ateando fogo em colchões

Presos da Penitenciária Estadual do Seridó, localizada em Caicó (região oeste do Rio Grande do Norte), iniciaram uma rebelião na noite desta quarta-feira (18). Eles quebraram grades do pavilhão B e invadiram a cozinha da unidade prisional. Segundo a Polícia Militar, o motim começou por volta das 20h (21h horário de Brasília) e ainda não foi controlado.

Os rebelados estão ateando fogo em colchões e alguns deles estão em cima do telhado da penitenciária com tecidos com o nome da facção criminosa Sindicato do Crime do RN, rival do PCC (Primeiro Comando da Capital). A bandeira tem siglas de outras facções aliadas ao Sindicato do Crime do RN, como: CV, OKD, FDN

O Corpo de Bombeiros está no local tentando apagar o fogo, mas o clima é de tensão. A imprensa local noticia a morte de pelo menos um preso e ferimentos por pedradas em um policial, mas não há nenhuma confirmação oficial.

Segundo a PM, policiais das guaritas observaram que os presos estavam com movimentação diferente e logo se posicionaram para impedir fugas. A polícia informou que a rebelião é restrita ao pavilhão B e que os presos do pavilhão A não se juntaram aos demais rebelados.

A penitenciária de Caicó tem capacidade para 265 internos, mas custodia atualmente 297 homens. Na ala feminina, há 53 mulheres presas e a capacidade é para 56.

Noite de medo

Nesta noite, Natal e cidades da região metropolitana estão sem ônibus porque pelo menos 12 veículos foram incendiados. Oito ônibus da empresa São Geraldo, que faz o transporte interestadual de passageiros, foram incendiados por criminosos, quando estavam estacionados na garagem da empresa, em Natal. Até agora, segundo o Corpo de Bombeiros, 11 ônibus e um carro do governo do Estado foram incendiados.

Crise no RN

O sistema prisional do Rio Grande do Norte está em crise desde o fim de semana, quando presos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada em Nísia Floresta (região metropolitana de Natal), se rebelaram e assassinaram 26 detentos.

A rebelião foi ocasionada por disputa de domínio entre as facções criminosas Sindicato do Crime do RN, grupo que age nas cadeias do Estado, e o PCC (Primeiro Comando da Capital), originada na região sudeste e que tem ramificações no Nordeste. Segundo o sindicato dos agentes penitenciários do RN, presos do pavilhão 5 de Alcaçuz, que custodiava integrantes do PCC, invadiram o pavilhão 4 e iniciaram um enfrentamento com membros do Sindicato do Crime do RN.

Na terça-feira (17), o clima ainda era de tensão no sistema prisional do Estado, pois presos do Sindicato passaram a ameaçar se rebelar caso não houvesse transferência de detentos do PCC de Alcaçuz para outros presídios.

Presos da Cadeia Pública de Natal, conhecida também como Presídio Provisório Professor Raimundo Nonato, se amotinaram nas primeiras horas da segunda-feira, mas não houve mortes, feridos ou fugas na unidade prisional. Eles tentaram derrubar uma parede da cadeia usando armas brancas para entrar na área de isolamento da unidade prisional, porém foram contidos pela polícia.

Jornal Midiamax