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Petrobras anuncia extinção de diretoria e fábrica em MS fica ainda mais indefinida

Prefeitura pode pegar terreno doado de volta

Midiamax Publicado em 29/01/2016, às 21h15

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Prefeitura pode pegar terreno doado de volta

A Petrobras anunciou a extinção da diretoria de gás e energia e corte de investimentos. Na última quarta-feira (27), a companhia aprovou a proposta de reestruturação organizacional, e com ela os projetos de Mato Grosso do Sul continuam indefinidos. As obras da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras, em Três lagoas, distante 338 da Capital, permanecem paradas desde 2014.

Informação divulgada na Folha de São Paulo cita que a empresa vai eliminar 30% dos cargos gerenciais com objetivo de cortar custos e adequar a estrutura à nova realidade da empresa, que vem passando por um processo de venda de ativos e corte de investimentos.

Para enfrentar a crise financeira, a companhia negocia a venda de usinas térmicas, plantas de fertilizantes e ativos de transporte do combustível.

A diretoria de gás e energia, hoje comandada por Hugo Repsold, é uma das principais afetadas pelo plano de enxugamento da estatal. Os negócios remanescentes do segmento ficarão sob a diretoria de abastecimento, que cuida da área de refino, hoje comandada por Jorge Celestino.

A Petrobras tem muitas termoelétricas pelo país e a preocupação agora é com o futuro das usinas. Três Lagoas tem uma unidade do grupo, Usina Termelétrica Luís Carlos Prestes. Inaugurada pela companhia em 2 de abril de 2004 em uma área de 22 hectares, a UTE LCP foi a primeira unidade da companhia construída em Mato Grosso do Sul. Hoje, a pleno vapor, ela atende a uma cidade com 1,8 milhão de pessoas, o que representa 68% da população de Mato Grosso do Sul.

ExpressãoMSSobre a Fábrica de Fertilizantes de Três Lagoas, A empresa não divulgou se há interesse em vender a unidade, mas informou por meio de nota que “estuda outras estruturas de negócios que viabilizem a conclusão da unidade”.

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Três Lagoas, André Milton, afirmou a equipe de reportagem do Jornal Midiamax que se reuniu semana passada com um grupo chinês que tem interesse na unidade. Segundo ele, as propostas já foram enviadas para a direção da Estatal, que ainda não respondeu. “Eu acredito na possibilidade de negociação. Os chineses demonstraram total interesse em fazer a aquisição. Nosso maior objetivo é que a obra continue, que esse processo acelera e que possamos negociar com algum investidor”, afirma.

André tenta agora se reunir com o secretário estadual de meio ambiente e desenvolvimento econômico Jaime Verruck para discutir sobre a construção da unidade.

A lei que fez a doação da área onde fica a unidade é fruto de um convênio na época em que André Puccineli (PMDB) governador do Estado. Uma área foi desapropriado para construir o projeto. Em uma das cláusulas, é citado que caso a obra não termine no prazo o município tem direito sob o terreno.

Entenda o caso

A construção da FAFEN (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados) da Petrobras está parada desde 2014, ano em que a unidade deveria estar pronta. A fábrica seria a maior unidade de fertilizantes da América Latina, com capacidade de produção de 1,2 milhão de toneladas de ureia e 761 mil toneladas de amôniapor ano.

A Petrobras recebeu a Licença de instalação do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) em 22 de fevereiro de 2011. E até 2014, 82% das obras foram feitas.

De acordo com o Site Expressão MS, o Consórcio UFN3, responsável pela construção da Fafen, abandonou o projeto com uma dívida de R$ 36 milhões a serem pagos para 133 fornecedores de Três Lagoas e região. Naquele ano, cerca de 3 mil funcionários foram demitidos quando a construção foi parada. Desde então, nenhuma obra foi feita na companhia. 

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