Brasil

Palocci recebeu ao menos R$ 128 milhões em nome do PT, diz PF

Juiz Sérgio Moro ordenou bloqueio da quantia

Norberto Liberator Publicado em 26/09/2016, às 14h23

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Juiz Sérgio Moro ordenou bloqueio da quantia

De acordo com a Força Tarefa da Operação Lava Jato, o ex-ministro Antonio Palocci (PT) teria recebido, em nome do PT, cerca de R$ 128 milhões em propinas, valor que foi bloqueado em bens, por determinação do juiz Sérgio Moro, o mesmo que autorizou a prisão do petista. 

Em coletiva de imprensa ocorrida nesta segunda-feira (26), membros da força-tarefa da Lava Jato apresentaram os detalhes das investigações da Omertà, 35ª fase da operação. Os delegados da PF e procuradores do MPF (Ministério Público Federal) afirmaram, durante a entrevista, que ao menos R$ 128 milhões teriam sido entregues ao ex-ministro Antonio Palocci, preso na ação. 

O delegado Filipe Hille Pace declarou que a Omertà foi possível devido a desdobramentos em investigações da 23ª fase da Lava Jato, a Acarajé, que prendeu o ex-marqueteiro João Santana e sua esposa Mônica Moura.

De acordo com Pace, as informações coletadas durante a Operação Acarajé levaram à descoberta de que o codinome “italiano”, que aparece em arquivos como receptor de dinheiro da empreiteira Odebrecht, fazia referência a Palocci. Foi isto, inclusive, que nominou a nova operação, já que 'omertà' é o nome do código de silêncio da máfia italiana.

Segundo o delegado, uma planilha com o nome de “italiano” foi encontrada durante as apurações. As datas dos encontros de Palocci e outros dados, coletados principalmente em e-mails, coincidem com as menções ao codinome, que para os investigadores refere-se ao ex-ministro.

Marcelo Odebrecht teria coordenado um esquema de propina ao PT por meio de obras como a Linha 2 do Metrô de São Paulo, Porto Laguna, Aeroporto Santos Dumont e piscinas dos Jogos Pan Americanos de 2007 no Rio, além de contratos de empresas urbanas de São Paulo.

E-mails trocados com Odebrecht indicam que Palocci seria o receptor do dinheiro, posteriormente dividindo os valores de acordo com os interesses do partido, por intermédio de Branislav Kontic, também preso na ação da PF na manhã desta segunda. O ex-ministro teria continuado a operar o esquema em nome do PT, mesmo estando sem cargos no governo.

Os pagamentos não ocorriam apenas em anos eleitorais, segundo Pace. O delegado explica que esse tipo de transação caracteriza propina, já que não haveria motivação eleitoral para que fosse feita uma doação. Em uma troca de mensagens feita em 2009, ano em que não houve eleições, Marcelo Odebrecht diz a Kontic que “o italiano pediu” para estar com ele.

Os membros da força-tarefa afirmam ainda que a sigla “JD”, que aparecia em conversas investigadas pela operação, não se referia ao ex-ministro José Dirceu, que anteriormente era suspeito de ser o nome por trás do código, mas sim a Juscelino Dourado.

Dourado era o chefe de gabinete de Palocci e também foi detido na 35ª fase da Operação Lava Jato. Ele teria sido operador do repasse de mais de US$ 3 bilhões feitos pelo BNDES (Banco de Desenvolvimento Econômico e Social) a Angola. Palocci teria feito acertos prévios com o governo angolano na negociação.

Também são investigadas as aquisições de 28 navios-sonda para exploração do pré-sal em 2011, realizadas pela empresa Sete Brasil, na qual a Petrobras teve participação societária. A Sete Brasil foi responsável pela fabricação dos navios.

Outras acusações envolvem a construção da Arena Corinthians e de uma suposta sede do Instituto Lula que não chegou a ficar pronta, além do ProSub (Programa Nuclear da Marinha e Desenvolvimento de Submarinos). Pace afirma que os temas “carecem de aprofundamento” e que estão em fase de apuração.

(Sob supervisão de Ludyney Moura)

Jornal Midiamax