Brasil

Ex-diretor da Odebrecht tenta nova delação e passa a implicar Lula

Alencar apresentou novas versões para a Lava Jato

Henrique Kawaminami Publicado em 26/10/2016, às 14h34

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Alencar apresentou novas versões para a Lava Jato

Ex-executivo da Odebrecht, Alexandrino Alencar, mudou sua atitude em relação ao acordo de delação que está negociando com a Lava Jato. Ele passou a entregar informações sobre a reforma do sítio em Atibaia em São Paulo, frequentando pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e sobre as viagens que fez com petista nos países da África e América Latina.

Alencar prestou dois depoimentos aos procuradores. O primeiro em Curitiba, sua delação foi rejeitada porque os investigadores consideraram que ele omitiu fatos para preservar o ex-presidente.

Na terça-feira (18) ele voltou a falar com a força-tarefa, em Brasília. Com a apresentação de novas versões, os procuradores já sinalizaram que vão aprovar os termos de acordo.

Alexandrino Alencar foi diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, e apontado como um dos operadores de propina da empreiteira. No ano passado, ele ficou quatro meses preso, condenado a 15 de anos de prisão, e esta em liberdade.

Ele irá integrar o grupo de cerca de 80 executivos que estão negociando acordos com procuradores da Lava Jato em Brasília e Curitiba.

Amigo

Alencar é considerado um personagem-chave nas investigações sobre Lula por causa de sua amizade com o petista. Ele atuou na reforma do sítio em Atibaia em 2010, feita por um consórcio informal composto pela Odebrecht, OAS e o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente.

A reforma foi iniciada pela Odebrecht em outubro de 2010, quando Lula ainda ocupava a Presidência. Fato que pode complicar a situação do petista se a justiça considerar que a obra foi retribuição de algum favor às empresas que cuidaram da obra. Dependendo da interpretação judicial, a reforma poderá ser considerada crime de corrupção.

Porém, Alencar, em sua delação narra os fatos sobre a reforma após a saída de Lula da Presidência.

De acordo com apuração feita pela Folha de São Paulo, outro delator da Odebrecht irá narrar o começo da obra. A empresa bancou as obras, omo a construção de uma anexo com quatro suítes.

O sítio em Atibaia está em nome de Jonas Suassuna e Fernando Bittar, amigos de um filho de Lula, e é alvo da investigação sob suspeita de que pertença de fato a Lula, que nega.

Alencar acompanhou Lula pela África e América Latina. Em novo depoimento, ele contou sobre pagamentos da empresa em receber apoio do ex-presidente. Ele era o mais frequente companheiro de viagens de Lula, após deixar a Presidência, sempre em jatinhos da Odebrecht.

Além de dar mais detalhes sobre as obras do sítio, viagens, e palestras de Lula, Alencar apresentou novas informações envolvendo o petista e a Odebrecht após o termino do mandato.

Lula se tornou réu no último dia 13 na Justiça do Distrito Federal, sob a acusação de ter ajudado a Odebrecht a conquistar obras em Angola com recursos do BNDES.

A defesa de Lula nega as acusações. Em nota, o Instituto Lula atacou as delações.

“a defesa do ex-presidente já entrou com pedido de investigação na PGR [Produradoria Geral da República] sobre a mudança de versões em duas tratativas de delação – as de Alexandrino Alencar e Léo Pinheiro [da OAD] – pelo risco de coação pelos investigadores para obterem versões contrárias ao ex-presidente, e pela perda do princípio da voluntariedade, o que tornaria tais delações nulas”. Ainda segundo a nota, “se delações são provas, apenas meio de investigação, mais relevantes ainda são supostas delações”.

Para o instituto, “Lula é vítima de 'lawfare' (guerra jurídica), uma perseguição política usando meios judiciais, que tentam manipular recursos jurídicos para espalhar suspeitas difusas sem base real para destruir a imagem de um líder político e inabilitá-lo a disputar eleições”.

O advogado José Roberto Batochio, que faz a defesa de Lula, diz que ele sempre teve realação lícita com empresários. Ainda crítica as delações. “As pessoas acusam inocentes para se livrar da cadeia”.

A Odebrecht não quis se manifestar.

Jornal Midiamax