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Estudante de Direito é morta a tiros por PM em festa universitária

O caso aconteceu na cidade São José dos Campos em São Paulo

Henrique Kawaminami Publicado em 24/10/2016, às 13h19

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O caso aconteceu na cidade São José dos Campos em São Paulo

Estudante de Direito é morta a tiros por PM em festa universitáriaUma estudante de Direito foi assassinada na noite de sábado (22), em uma festa universitária em São José dos Campos, em São Paulo. Segundo a Polícia Civil, o autor do crime era policial militar e se matou logo em seguida.

Mariana Angélica, de 22 anos, participava de churrasco de pré-formatura acompanhada pelo policial Wellington Landim, de 24 anos, quando, segundo testemunhas, iniciaram uma discussão. O policial que estava de folga, sacou sua arma e efetuou dois disparos contra a estudante, e em seguida se matou. Várias pessoas se chocaram com a cena.

'Não parecia real'

De acordo com testemunhas, a ação foi muito rápida, e todos pensaram que era uma brincadeira entre o casal. A jornalista Jéssica Magalhães, de 24 anos, presenciou a cena do crime, disse que parecia uma brincadeira de mau gosto. "Não parecia real, não teve grito, nem nada. Todos ficaram congelados, foi um momento de muito choque e só depois que a ficha caiu", contou. Segundo ela, após a ação do policial, houve correria no local e os estudantes tentavam se acalmar até a chegada de equipes policiais e de socorro.

Outra estudante que prefere não se identificar, presenciou de perto. "Tudo aconteceu do meu lado, vi a menina caindo no chão e depois ele atirando nele mesmo. Até falamos que era uma brincadeira sem graça, mas aí percebemos que não era, e bateu o desespero. Ninguém sabia se eles ainda estavam juntos ou não", relatou.

Arma no evento

O advogado Jamil José Saab da empresa Atlas Imagem & Cia, uma das organizadoras da festa, disse que os seguranças pediram para que o policial não entrasse com a arma no local. O homem, porém, se recusou a deixar o revólver no carro, alegando que por ser policial, poderia permanecer armado no evento.

Ameaças e medidas da Justiça

Um vídeo foi publicado nas redes sociais, mostra os dois momentos antes do crime (Reprodução)Colegas de Mariana Angélica contam que os dois foram namorados por 3 anos, mas eles terminaram no início do ano, devido a uma traição do policial. Ela chegou a procurar a polícia relatando que estava sendo ameaçada.

Wellington teria mandado um áudio para uma amiga do casal dizendo que 'daria uns tiros nela' e afirmando 'tô na neurose com essa menina'. Em abril, a Justiça expediu medida protetiva de urgência determinando que o militar não poderia manter contato com Mariana e nem ficar a uma distância menor de 300 metros da vítima e de parentes.

O corpo da estudante foi enterrado na tarde desta domingo (23), no Cemitério Parque das Flores, na zona sul de São José dos Campos.

O caso foi registrado como homicídio, suicídio consumado e lesão corporal. Foi realizada perícia no local e exames necroscópicos e toxicológico no policial envolvido. A pistola utilizada na ação foi apreendida. A Polícia Civil ainda está investigando as causas do crime.

Jornal Midiamax