A medicina avançou significativamente, proporcionando ao ser humano uma longevidade cada vez maior e tornando comum a vida acima dos 70 anos. No entanto, apesar dos avanços médicos, muitas pessoas ainda não evoluíram em sabedoria para aceitar e viver bem essa última e mais importante fase da vida: a velhice.

Infelizmente, é comum observarmos pessoas se tornando amargas e frustradas ao perceberem as mudanças físicas que ocorrem com o passar dos anos, como a lentidão nos movimentos, o surgimento de rugas e flacidez, entre outras características naturais do envelhecimento.

É fundamental compreender que a vida possui diferentes fases, e a velhice traz consigo tanto vantagens quanto desvantagens. Para alguns, é um tempo para desfrutar, colher e saborear os frutos do que foi plantado ao longo da vida. No entanto, para a maioria, a velhice pode se tornar uma penitência, gerando frustrações que afetam a personalidade e agravam a saúde espiritual, física e mental do indivíduo.

Nesse sentido, é preciso cultivar a gratidão pela existência ao alcançar a velhice. Ao agradecer a Deus pelo dom da vida, mesmo enfrentando as imperfeições físicas e/ou mentais que possam surgir, a velhice pode se tornar mais doce, bela, saudável e produtiva. Para tanto, é importante se preparar ao longo da jornada, vivendo cada dia de maneira dinâmica, feliz e com coragem para enfrentar os desafios.

Ao compreender o verdadeiro sentido da vida, que é viver para nos tornarmos pessoas melhores, de caráter ilibado, honrados, honestos, trabalhadores e tementes a Deus, podemos levar uma vida tranquila, segura e próspera, mesmo na velhice. Quando bem preparados espiritualmente, jamais seremos pessimistas ou desgostosos com tudo e com todos ao nosso redor, pois saberemos que o Senhor estará sempre conosco, auxiliando-nos no crescimento e desenvolvimento como Seus filhos especiais.

É importante destacar que a velhice deve ser trilhada com cuidados e atenção à saúde física, mental e, sobretudo, espiritual. A alimentação saudável e a adoção de bons hábitos fortalecem o corpo e a mente, sendo a espiritualidade a fonte de vital do indivíduo.

Para valorizar a velhice, devemos lembrar as palavras sábias de Levítico (19:32) que nos ensinam a honrar os idosos e a temer a Deus: “Levantem-se na presença dos idosos, honrem os anciãos, temam o seu Deus. Eu sou o Senhor”. Além disso, Provérbios (16:31) nos lembra que o cabelo grisalho é uma conquista: “O cabelo grisalho é uma coroa de esplendor, e obtém-se mediante uma vida justa”.

Ao abordar esse tema, é relevante trazer à tona as palavras inspiradoras da poetisa e contista brasileira Cora Coralina, que viveu por 95 anos. Em sua entrevista, ela nos ensina a evitar palavras negativas relacionadas à vida e ao envelhecimento: “Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo pra você: não pense. Nunca diga, estou envelhecendo ou estou ficando velha.
Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.

Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada.
Nada de palavra negativa.

Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio! Sei que tenho muitos anos.
Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não”.

Assim, aprender a envelhecer é um processo que envolve sabedoria, gratidão, cuidados com a saúde física, mental e espiritual, além de uma postura otimista e determinada para viver a última fase da vida com plenitude e alegria. O envelhecimento é uma dádiva que deve ser valorizada e desfrutada em sua plenitude, tornando-se uma fase de crescimento pessoal e espiritual.

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