Variedades / Saúde

Apenas 20% das mulheres estão fazendo mamografia, afirma médica do Hospital de Barretos

Mamografia é a principal forma de diagnóstico

Tatiana Marin Publicado em 28/10/2016, às 18h45

None
editada.jpg

Mamografia é a principal forma de diagnóstico

Desde a década de 90 o câncer de mama entrou para as manchetes dos jornais e até virou moda. Mas será que as mulheres estão mais conscientes? Elas estão fazendo exames regularmente para realizar o diagnóstico precoce? Segundo a médica Ruth Morais Bonini, radiologista mamária da Unidade de Prevenção de Campo Grande do Hospital de Câncer de Barretos, infelizmente não! Apenas 20% das mulheres em idade de realizar mamografias estão passando pelo exame.

Para Ruth, vários fatores contribuem para que tantas mulheres fiquem à margem da prevenção. Falta de orientação e problemas na rede pública seriam alguns dos motivos.

Taxas elevadas

“O Hospital de Barretos está presente em Campo Grande há três anos. Nesse período a taxa de detecção de câncer de mama aumentou. Estudos populacionais apontam que a cada 1000 mamografias realizadas, são detectados em torno de 4 a 5 mulheres com câncer de mama. Quando o hospital chegou aqui, a taxa de detecção foi de 6,8. Um pouco elevado, mas quando se começa um programa de rastreamento é normal essa taxa ser um pouco elevada, depois estabiliza. Entretanto não foi o que aconteceu.”

A radiologista informa que em 2015 a taxa subiu para 10,4 e, com dados parciais até maio de 2016, foram registrados 11,2 casos em cada 1000 mulheres. De acordo com Ruth, isso não significa que está havendo mais incidência de mulheres com câncer de mama, mas sim que elas estão procurando mais.

“A instituição está ficando conhecida, então a mulher está sabendo que quando não consegue atendimento na rede pública de saúde, consegue aqui” explica a médica. Entretanto o aumento de diagnósticos não foi às custas do que o Hospital de Barretos deseja.

O intuito do hospital é fazer o rastreamento de mulheres para fazer a detecção precoce do câncer, quando são apenas microcalcificações, impossíveis de ser percebidos através do toque. As mulheres que estão procurando o Hospital de Barretos são aquelas que já sentem os nódulos.

“Quando fazemos exames na mulher assintomática, conseguimos detectar o câncer bem pequenininho, quando a chance de cura é muito grande. Desta forma, a probabilidade de ela estar viva daqui 5 anos é de 95%. Já, quando ela vem fazer exames quando sente o nódulo, o câncer pode estar em estágios mais avançados, o que reduz a chance de sobrevivência”.

Quando os nódulos de câncer de mama são percebidos através do toque ainda tem grandes chances de cura, mas a paciente precisa passar por cirurgia na mama (algumas vezes retirada total) e axila, esvaziar gânglios e passar por ciclos de quimioterapia.

Quando o câncer é detectado nas fases iniciais, uma pequena cirurgia é realizada para retirar apenas uma pequena porção do tecido mamário. Neste caso é necessário passar somente pela radioterapia, que é um tratamento menos agressivo que a quimioterapia

Atendimento no Hospital de Barretos

Todas as mulheres entre 40 anos e 69 anos devem fazer a mamografia, mesmo que não esteja sentindo nada. Não é necessário passar por consulta prévia. O agendamento pode ser feito pelo telefone (67) 3304-6600 e no dia do atendimento é necessário levar o Cartão do SUS, documento de identidade e comprovante de endereço. Além da mamografia, a paciente passará pela coleta de material para o exame de papanicolau.

Mesa de estereotaxia para biópsia mamárias, única no estado. (Luiz Alberto/Midiamax)Se a mamografia estiver normal o resultado é enviado ao endereço da paciente. Se o exame apontar qualquer alteração ela será convocada para voltar ao hospital para uma investigação mais minuciosa. Se a suspeita se confirmar, o próximo passo é o atendimento com um oncologista e a realização de uma biópsia.

“Este processo é feito rapidamente por nós mesmo. A partir do momento que houve alguma alteração na mamografia, em poucos dias o hospital entra em contato por telefone com a paciente, que será chamada para fazer uma ultrassonografia, depois a consulta e a biópsia. O material então vai pra Barretos que tem um laboratório muito bom. Se o câncer for confirmado, o laboratório já aponta o tipo de tratamento e qual melhor quimioterapia para tratar aquele câncer”.

Segundo Ruth Bonini, vários tipos de câncer podem ser desenvolvidos nas mamas. “O câncer de mama é uma doença muito heterogênea então há vários tipos de tratamento. Uns mais agressivos, outros menos”, ensina ela.

Quando sai o laudo do laboratório com diagnóstico de câncer, a paciente passa por atendimento com uma psicóloga para prepará-la e preparar os familiares. Então é feito o encaminhamento para o Hospital do Câncer Alfredo Abrão, pois no Hospital de Barretos não são realizados tratamentos e cirurgias. “Temos um convênio com o Hospital Alfredo Abrão que está funcionando muito bem. Aqui fazemos atendimento, biópsia, pequenas cirurgias, mas não fazemos a remoção do câncer, nem rádio ou quimioterapia”, explica a médica.

O Hospital de Barretos atende mulheres de 40 a 69 anos que, de acordo com a doutora Ruth, é comprovadamente a idade em que a incidência do câncer de mama é maior. As mulheres com menos de 40 anos que desejarem ou precisarem de atendimento devem se dirigir às UBSs ou UBSFs mais próximas e procurar o médico da família, clínico geral ou enfermeiro do local.

Segundo Jorcinei Alvarenga, coordenador do Programa Consulta Única, os postos de saúde estão à disposição das mulheres para atendimento na prevenção e diagnóstico do câncer de mama. “Dependendo da idade da mulher, será solicitado uma ultrassonografia ou uma mamografia que deverá ser agendada na recepção da unidade após a consulta. De posse do resultado, deve ser agendada uma consulta de retorno ou deve-se procurar o Consulta Única”, explica ele.

Carreta de Prevenção de Barretos

Carreta de Prevenção de Barretos - ajuda no diagnóstico do câncer de mama (Divulgação/HCB)

Além do atendimento no hospital, a Carreta de Prevenção atende os bairros de Campo Grande obedecendo uma programação anual. Segundo Ruth Bonini, leva dois anos para que a carreta passe por todos os bairros de Campo Grande, mas facilita muito para as mulheres. São realizadas mais de 50 mamografias por dia nas carretas.

“A Carreta tem uma programação anual e ajuda muito as mulheres dos bairros, mas ela não precisa esperar. Ela pode vir no hospital porque a carreta pode levar muito tempo para chegar ao bairro onde ela mora”, explica Ruth.

Jornal Midiamax