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Transparência

Câmara de Água Clara é investigada após operação que expôs corrupção na prefeitura

Falta de transparência sobre diárias pagas a parlamentares vira alvo de inquérito
Celso Bejarano, Fábio Oruê -
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câmara de água clara
Câmara de Água Clara (Divulgação)

A promotoria de Justiça de anunciou nesta segunda-feira (24), por meio de publicação no Diário Oficial do Ministério Público de , que instaurou inquérito para investigar “eventual irregularidade no portal transparência da Câmara dos vereadores da cidade”.

A investigação surge uma semana após o MPMS deflagrar a Malebolge, operação que investiga eventual esquema de por meio de fraudes em licitações. Desta vez, o MP mira na falta da disponibilização de dados das diárias dos vereadores no Portal da Transparência. A denúncia data de 2023.

Na mesma época em que os valores não estavam facilmente disponibilizados a toda a população, o Jornal Midiamax publicou que os gastos continuaram após denúncia e valor de diárias para vereadores chegou a R$ 414 mil. O valor com diárias e passagens quase dobrou em poucos meses.

Denúncia feita MPMS, em meados de 2023, relatava dificuldade em acesso aos dados no Portal da Transparência e até suposta resistência de servidores da Câmara de Vereadores em repassar os valores, que deveriam ser públicos.

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Durante as investigações da Notícia de Fato instaurada, equipe técnica do MP não encontrou os dados das diárias entre fevereiro e maio de 2023. A investigação evoluiu até ser instaurado Inquérito Civil nesta segunda.

Câmara alega falta de adequação aos dispositivos móveis

Procurada pelo Jornal Midiamax, a Câmara Municipal de Água Clara esclareceu que estava com problema técnico de responsividade. “[…] ele não se adequava/ajustava à tela do celular, o que dificultava a abertura das abas laterais e dos banners que linkam até os Portais de Transparência”, defende.

Para se adequar, a Câmara precisou ativar um ACT (Acordo de Cooperação Técnica) que estava vencido com a empresa Interlegis, a responsável pelo domínio do site. Servidor responsável pelo site também passou por capacitação.

“Após o trâmite burocrático e o firmamento da ACT, solicitamos à INTERLEGIS que restaurasse o site às configurações originais para resolver o problema da responsividade e facilitar o acesso não só pelo computador, mas também pelos smartphones”, relata.

Atualmente, conforme nota da Câmara, o site se encontra funcional e contém 3 banners abaixo do layout de notícias para acesso às diárias de todos os vereadores e funcionários, ao Portal da Transparência Contábil e ao Portal da Transparência Geral.

“A Câmara Municipal de Água Clara sempre disponibilizou as informações acerca da transparência do órgão e das diárias de vereadores e servidores em nosso Site Oficial (https://www.aguaclara.ms.leg.br/) que, por meio de hiperlink, direciona aos Portais da Transparência do Poder Legislativo de Água Clara, local em que é possível acessar os dados. O acesso NUNCA deixou de estar disponível”, alega.

Fraude em contratos em prefeituras do PSDB

Denúncia indica que a trama envolvia empresários e servidores públicos municipais, que eram corrompidos. A operação prendeu 11 pessoas e cumpriu 39 mandados de busca e apreensão.

Os mandados tinham como alvo a cidade de Água Clara, onde a Câmara dos Vereadores agora também passa por investigação, além de Rochedo e .

Em Água Clara, por exemplo, os investigadores prenderam Denise Rodrigues Medis, a então secretária de Finanças da cidade. A prefeitura informou que exonerou Denise do cargo no dia seguinte à operação.

Leia mais – ‘Malebolge’: Empresários, secretária e filho de prefeito ganham liberdade e vão usar tornozeleira

Filho de prefeito preso

Em Rochedo, os policiais prenderam Fernando Passo Fernandes, que é filho do prefeito Arino Jorge, do . Fernandes é servidor municipal e comandava a Diretoria de Licitações. O município ainda não informou se deve exonerar o filho do prefeito por conta da operação.

Dos 11 encarcerados, oito, incluindo o filho do prefeito e a ex-secretária de Finanças, já estão em liberdade. O esquema de fraude em licitação atingia principalmente o segmento da Educação municipal.

Assim, o MPMS estima que trama tenha motivado um prejuízo de ao menos R$ 10 milhões. Por fim, o MPMS ainda não informou se há conexão entre a investigação do portal transparência e o esquema das fraudes em licitações.

“Malebolge”, termo que dá nome à operação, é uma referência à Divina Comédia, obra clássica de Dante Alighieri, que descreve a jornada de um homem pelos reinos do inferno, purgatório e paraíso. Dentro do inferno, o “Malebolge” é a região onde os fraudadores e corruptos sofrem punições conforme a gravidade de seus pecados.

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