Servidora lotada na Corregedoria de Trânsito (Cotra) do Detran-MS (Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul), Yasmin Osório Cabral – atualmente suspensa das funções públicas pelo período de seis meses -, foi a personagem da Mulher-Maravilha em ações educativas referentes ao Maio Amarelo, desenvolvidas de forma lúdica para crianças.

Conforme matéria publicada pelo site institucional do Detran-MS, Yasmin declara ter atuado duas vezes como a personagem ‘heroína do trânsito’, denominada pelo órgão como Supergirl. “Isso foi gratificante, me trouxe um significado de um acolhimento, de carinho, principalmente das crianças”, declarou para a assessoria de imprensa do órgão.

Conforme relatório policial do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), ela teria participado de esquema de fraude no Detran-MS, que teria rendido ao menos cerca de R$ 290 mil ao grupo.

De acordo com a polícia, a servidora obtinha clandestinamente senha de outros servidores, acessava o sistema e identificava caminhões com restrições. Então, passava informações para o despachante David Hoffman, que exigia o pagamento de R$ 10 mil dos proprietários para liberar os veículos.

Então, ao receber os valores, a servidora liberava as restrições no sistema e o despachante baixava a documentação. Foram identificados pelo menos 200 veículos liberados irregularmente pelo grupo.

Ainda, ficou constatado nas investigações que Yasmin receberia presentes de David como um iPhone 15 Pro Max, joia e valores no Pix.

Confira nota emitida pelo Detran-MS sobre o caso: “A investigação em questão corre sob sigilo de justiça, de maneira que, como determina o devido processo legal, afastamentos e demais processos administrativos, cíveis ou criminais, devem ser tratados como prevê a legislação. 

O Detran-MS reforça que colabora com os órgãos de controle, interno e externo, para garantir apuração célere e punição rigorosa de eventuais servidores envolvidos em quaisquer práticas ilegais e/ou criminosas. 

Reiteramos que a identificação de atividade ilícita que culminou com as investigações em curso, só foi possível graças ao monitoramento ininterrupto feito pelo Departamento de Trânsito, que identifica ações ou operações atípicas dos servidores, gerando alertas para os departamentos responsáveis investigarem mais a fundo“.

Yasmin foi procurada pela reportagem para se posicionar sobre as acusações, mas não enviou resposta até a publicação dessa reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

Despachante está foragido

Durante cumprimento de mandado de prisão preventiva, a equipe policial foi informada de que David teria viajado há dois meses para o Estado de São Paulo com sua esposa e não havia data para retornar. Dessa forma, foi considerado foragido.

Conforme apurado, David já responde a ações penais por fraudes no Detran-MS com participação de servidores. No entanto, a polícia conclui que as fraudes “são a própria essência das atuações de David. Muito mais do que apenas reiterar na conduta delitiva, mesmo respondendo a ações penais, sofrendo medidas cautelares, o investigado continua a se aperfeiçoar e a lucrar em cima de esquemas ilícitos”.

Assim, o relatório coloca David como provedor e coordenador das operações, ele apontava quais veículos era para dar baixa, assim como era responsável pela captação de clientes e distribuir os valores obtidos ilicitamente.

Já Yasmin era a servidora dentro do Detran-MS que conseguiu clandestinamente acesso ao sistema e liberar as restrições, bem como levantar os veículos que poderiam ser alvo do grupo. Hudson também era responsável por baixar os documentos já liberados, assim como ajudar na seleção de veículos alvos da fraude. Por fim, Edilson auxiliava David na tentativa de download de documentos e tinha escritório compartilhado com ele.