Pular para o conteúdo
Transparência

Justiça condena prefeitura de Campo Grande a pagar adicionais a médicos

Categoria ficou oito anos sem receber regularmente, e município alegou dificuldades financeiras
Adriel Mattos -
prefeitura
Edifício-sede da prefeitura de Campo Grande. (Henrique Arakaki, Arquivo, Jornal Midiamax)

A 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos condenou a prefeitura de a pagar promoção horizontal e vertical, adicional por tempo de serviço e abono de permanência aos médicos da rede pública, que não recebiam os benefícios desde janeiro de 2015. A sentença foi publicada na edição desta segunda-feira (23) do Diário da Justiça.

A ação civil coletiva foi apresentada em dezembro de 2020 pelo Sinmed/MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul). Na petição, o advogado Márcio Almeida sustenta que a foi por meio do Decreto 12.528/2015, atingindo tanto a categoria como diversos servidores.

A suspensão foi prorrogada por duas vezes, não havendo pagamento até abril de 2016. A medida contrariou o Estatuto dos Servidores Públicos (Lei Complementar 190/2011).

O que dizem as partes

A defesa do Sinmed ainda destacou que a suspensão perdura até hoje, chegando a oito anos sem o pagamento dos adicionais. Desde então, a prefeitura vem até pagando os benefícios, mas apenas para alguns médicos.

“Não bastasse a edição de tais decretos flagrantemente inconstitucionais, após a vigência dos referidos decretos a administração suspendeu o pagamento de vantagens por mero ato de omissão, e cujas omissões perduram até a presentemente, pois, após a vigência dos decretos, o município simplesmente não vem editando os atos de concessão das vantagens devidas, o fazendo esporadicamente, para um ou outro servidor, não atendendo assim às disposições das leis que disciplinam quanto ao direito as promoções horizontais e verticais e do direito ao abono permanência”, pontuou Almeida.

A PGM (Procuradoria-Geral do Município) alegou que o município enfrentou dificuldades financeiras na gestão anterior, de Gilmar Olarte e de Alcides Bernal (PP). Como se não bastasse, a prefeitura enfrentou perda de receita com a queda no repasse do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) em 2012.

A edição dos decretos é permitida com base na Súmula 27, do STF (Supremo Tribunal Federal). Os servidores, apesar de não receberem os adicionais, não tiverem redução salarial, tendo apenas o adiamento do pagamento.

Instado a se manifestar, o (Ministério Público do Estado) opinou que decreto não tem o poder de criar ou suspender direitos e obrigações previstos em lei, defendendo que a prefeitura fosse condenada.

Juiz aponta que prefeitura não deveria mudar leis por decreto e condena prefeitura a pagar médicos

Em sua decisão, o Alexandre Corrêa Leite observou que decretos não podem ser editados para alterar leis. Ainda que o município devesse observar a Lei de Responsabilidade Fiscal, bastaria deixar de nomear servidores comissionados, pagar horas extras, entre outras medidas.

“O limite legal de gastos com pessoal não autoriza à administração municipal o inadimplemento de obrigações e/ou a determinação de suspensão de concessão de direitos legalmente estabelecidos. Vale dizer, a concessão de promoção vertical e horizontal, do adicional por tempo de serviço e do abono de permanência, por exemplo, decorre de expressa previsão legal e não encontra óbice no limite de gasto com pessoal”, escreveu.

Assim, Leite condenou a prefeitura a pagar os benefícios aos médicos, com juros e correção monetária. A decisão cabe recurso.

Compartilhe

Notícias mais buscadas agora

Saiba mais
cédulas de dinheiro salario

Mulher é suspeita de fugir de casa com salário do marido em Campo Grande

aplique mega hair motoqueira

Motoqueira de aplicativo some com mega hair de cliente avaliado em mais de mil reais

Seleção brasileira feminina de futebol estreia em 2025 com derrota em amistoso com os EUA

jogador luiz gustavo sao paulo

Luiz Gustavo é internado com dores do peito e desfalca o São Paulo por tempo indeterminado

Notícias mais lidas agora

Primeiro trimestre em MS fecha com aumento de 10% em crimes violentos

Com tecnologia de scanner 3D, perícia ‘refez’ pela 1ª vez cena de crime bárbaro em MS

bandeirantes eleitores eleição suplementar dejavu

Eleitores de Bandeirantes vivem déjà vu com indefinição de nova eleição: “desanimador”

Bandeira da comunidade LBGT - (Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil)

Fórum lança manifesto para ampliar inclusão de jovens LGBT+ no mercado

Últimas Notícias

Polícia

‘Crush do Instagram’ alega perseguição e denuncia seguidora que se mudou para Capital

"Crush do Instagram" é concurseiro, diz que sua vida é só estudar, e está preocupado porque a mulher passou a frequentar a mesma academia que ele

MidiaMAIS

Show de Chitãozinho e Xororó na Expogrande vira momento simbólico para famílias

Dupla levou admiradores de várias idades para ouvirem sertanejo raiz no palco da Expogrande neste sábado (5)

Polícia

Corpo é encontrado com sinais de violência no Centro de Belas Artes

Vítima foi identificada como Assis Ari Lopes da Silva

Esportes

Corinthians dá show em noite de gala de Memphis e Yuri, bate Vasco e vence a 1ª no Brasileirão

Com o controle da partida desde o primeiro tempo, o Corinthians ficou mais cauteloso na etapa final, mas já era tarde para o Vasco entrar no jogo