Política / Transparência

Ex-segurança de Reinaldo é condenado por desacatar oficial mulher na frente de 21 militares

Ricardo Campos Figueiredo não teve suspensão da condicional por maus antecedentes

Evelin Cáceres Publicado em 03/08/2021, às 10h29

Ricardo Campos, que foi preso durante a Operação Oiketikus
Ricardo Campos, que foi preso durante a Operação Oiketikus - Arquivo

O ex-segurança do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), sargento Ricardo Campos Figueiredo, foi condenado por desacatar uma major militar na frente de outros 21 militares. A sentença, oito meses de reclusão no regime aberto, foi publicada no Diário da Justiça desta terça-feira (3). Ricardo Campos Figueiredo não teve suspensão da condicional por maus antecedentes.

Esta é a terceira sentença de condenação do militar que atuava com Reinaldo. Ele foi preso durante a Operação Oiketikus, em 2017, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) contra militares que atuavam no contrabando de cigarros do Paraguai, que ficou conhecida como a Máfia do Cigarro.  

Segundo a sentença, Figueiredo teria agido com intensidade do dolo ao se portar de maneira afrontosa, ‘precisamente quando a oficial reitera sua determinação e o acusado se nega a acatá-la, assim como a forma incondizente que se dirige à major, o que demonstra a clara e elevada intenção de desprestigiar a autoridade da militar perante os demais 21 (vinte e um) militares que ali estavam’. O sargento foi condenado a quatro meses de detenção para o crime de desrespeito a superior e em dois meses para o crime de desobediência e teve a pena majorada para oito meses por causa das demais reprimendas previstas.

Operação Oiketicus

A Operação Oiketicus, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em maio de 2018, apurou delitos praticados por policiais militares do Estado que atuavam na chamada “Máfia dos Cigarreiros”. Ricardo foi apontado como líder do grupo que dava suporte a contrabandistas de cigarros. Nas duas fases da Oiketicus, 29 policiais, entre praças e oficiais, foram presos.

As investigações iniciaram em abril de 2017 e apontaram que policiais militares interferiam em fiscalização de caminhões de cigarros para que não ocorressem apreensões de cargas e veículos, além de adotarem outras providências para o êxito do esquema.

De acordo com a denúncia do Gaeco, os cigarreiros agiam associados desde o início de 2015, estruturalmente ordenados e com divisão de tarefas.

Celulares quebrados

Ricardo chegou a enganar o promotor para se trancar no banheiro de casa durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão e quebrar dois aparelhos celulares, para eliminar provas. Segundo os membros do MPMS, perícia no que restou dos celulares apontou que provas que poderiam estar nos aparelhos foram destruídas, já que as placas e processadores foram totalmente danificados.

Jornal Midiamax