Política / Transparência

Bandeirantes: Eleição suplementar para prefeito será dia 7

Em 2020, TRE-MS indeferiu o registro do candidato vencedor da eleição para prefeito

Marcelo Nantes Publicado em 28/10/2021, às 12h55

Milane (PSC), Zulene Diniz (PSDB), Celso Abrantes (PSD) e Gustavo Sprotte (DEM) disputam a eleição suplementar para prefeito de Bandeirantes
Milane (PSC), Zulene Diniz (PSDB), Celso Abrantes (PSD) e Gustavo Sprotte (DEM) disputam a eleição suplementar para prefeito de Bandeirantes - Divulgação dos próprios candidatos

Duas mulheres e dois homens são candidatos à prefeitura de Bandeirantes, a 65 quilômetros de Campo Grande, marcada para 7 de novembro. Milane (PSC), Zulene Diniz (PSDB), Celso Abrantes (PSD) e Gustavo Sprotte (DEM) estão em campanha desde a primeira quinzena de outubro e disputam a preferência dos 6.072 eleitores da cidade. Caberá ao vencedor administrar um orçamento que, em 2020, foi de R$ 4 milhões.

Três dos quatro candidatos, além do chefe do cartório eleitoral da cidade, Wallace de Oliveira Muniz, afirmam que o clima durante a campanha eleitoral até o momento corre “tranquilo”. Apenas Celso Abrantes lamenta “as agressões recorrentes nas redes sociais”. 

A eleição fora de época foi convocada pela Justiça Eleitoral do Estado porque o candidato à reeleição — e que acabou vitorioso — em 2020, Álvaro Urt (DEM), foi cassado pela Câmara Municipal semanas antes da data de votação. O MPE (Ministério Público Eleitoral) pediu a impugnação do registro dele após a perda do mandato. O registro acabou indeferido pelo TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral).

A paranaense Milane, 48 anos, está na oitava eleição. A empresária foi vereadora no município em 2008 e chegou em terceiro lugar na eleição para prefeito do ano passado, com 470 votos (pouco mais de 10%). Ao TRE-MS, declarou R$ 999 mil em bens. 

Definiu como prioridades terminar a construção do hospital municipal, construir uma maternidade e uma escola para os assentamentos e adquirir um terreno onde pretende implantar o polo industrial da cidade para gerar emprego e renda. Embora seja a candidata com o maior patrimônio, avalia não poder competir em igualdade de condições.

“Estou confiante, com os pés no chão e muita fé. Não tenho recursos, então resolvi fazer campanha com a ajuda de voluntários. É difícil medir forças com duas máquinas, a do governo e a do município”, afirma Milane ao citar indiretamente as campanhas dos adversários Gustavo Sprotte (prefeito interino) e Zulene Diniz (que recebe o apoio do governador do Estado, Reinaldo Azambuja/PSDB).

Zulene, aliás, é a única candidata bandeirantense. Já disputou quatro eleições, incluindo a de 2020, quando foi candidata a vice-prefeita na chapa de Álvaro Urt (DEM) — que venceu a eleição, mas não pôde assumir o cargo. Ao TRE-MS, declarou possuir R$ 221 mil em bens. Ela conta com o apoio declarado do governador Azambuja e de Álvaro Urt.

Como prioridade, elencou demandas da saúde cobradas pela população — caso da construção da maternidade —, a geração de emprego e renda (que pode ser suprida, segundo ela, com a criação de um polo industrial), pavimentação asfáltica e ouvir mais os moradores do município.

“Estou otimista com minha campanha. Estamos na luta e acredito que posso realizar uma boa administração. Tenho uma história de vida aqui, nasci na cidade”, declara a assistente social com especialização em Saúde Pública.

O paranaense Celso Abrantes está na segunda eleição (foi vereador da cidade pelo PMDB em 2016). Não disputou a eleição do ano passado porque “não deixaram, preferiram apoiar outro candidato", lamenta. Ao TRE-MS, declarou R$ 651 mil em bens. 

Elencou como prioridade a geração de emprego a partir de incentivo a microempresas e de parcerias com o comércio “para colocar no mercado jovens estagiários”. Tem esperança na vitória porque acredita possuir a menor rejeição entre os demais concorrentes.

“Não entendo de saúde, não entendo de educação, mas sei indicar quem entende. Vamos colocar pessoas capacitadas em vez de nomear apenas para compensar os apoios políticos”, promete o candidato.

O prefeito interino Gustavo Sprotte também é paranaense. Está na terceira eleição, em 2020, se elegeu vereador com 213 votos (4,72%). Ao TRE-MS, declarou possuir R$ 385 mil em bens. 

Elegeu como prioridade as áreas da saúde (terminar reforma do hospital), educação (reformar escolas — são cinco — e construir uma creche) e obras (pavimentar ruas).

Recebeu o apoio da ministra da Agricultura, Tereza Cristina. E, embora seja do DEM, diz contar com o apoio de importantes políticos do PSDB, caso dos deputados federais Rose Modesto e Beto Pereira, e do deputado estadual e presidente da Alems (Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul), Paulo Corrêa. 

Para o Midiamax, explicou porque decidiu disputar a eleição para prefeito só agora se no ano passado preferiu concorrer a uma vaga na Câmara Municipal. “Quando assumi, abracei a causa. Isso me levou a querer trabalhar pelo povo. Posso fazer muito mais do que como vereador”, justifica.

Histórico

Em 2020, Álvaro Urt (DEM) venceu a eleição para prefeito com 2.280 votos (50,63%). O juiz Daniel Foletto Geller, da 34ª Zona Eleitoral do município, indeferiu o registro de candidatura à reeleição do ex-prefeito. Ele teve o mandato cassado dois meses antes da votação, em novembro. O MPE (Ministério Público Eleitoral) pediu a impugnação após a cassação. 

Urt teve o mandato cassado no fim de setembro após processo aberto com base nas investigações da Operação Sucata Preciosa, desencadeada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que investigou emissão de notas fiscais frias no serviço de manutenção da frota de veículos.

Jornal Midiamax