Política / Transparência

Em família: empreiteiras sob suspeita compartilham escritório e maquinário

Empresa do genro de João Amorim usa estrutura da Proteco

Evelin Cáceres Publicado em 10/07/2015, às 16h58

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Empresa do genro de João Amorim usa estrutura da Proteco

A LD Construções e a Proteco Construções, que são alvos das investigações da Operação Lama Asfáltica, deflagrada na quinta-feira (9), usam o mesmo prédio como escritório e também compartilham o pátio para guardar os equipamentos em Campo Grande. A primeira pertence a Luciano Dolzan, genro do dono da segunda, João Amorim, e ambos possuem contratos milionários com o Poder Público em Mato Grosso do Sul.

O local onde funcionava a sede da LD, na Rua Paraguai, em Campo Grande, atualmente está abandonado. Vizinhos informaram nesta sexta-feira (10) que há mais de três meses não vêem movimentação na empresa. “Em um único dia eles retiraram todos os equipamentos e foram embora. A sede está abandonada desde então”, disse um dos moradores da região.

Porém, a mudança de endereço na Junta Comercial de Mato Grosso do Sul só foi feita no dia 23 de junho, menos de um mês atrás. A única distinção entre um endereço e outro, segundo o registro, é que a empresa ocuparia o ‘bloco B’ da sede, na Rua Joaquim Murtinho, região da chamada ‘saída para Três Lagoas’.

O Jornal Midiamax esteve na sede da empresa e verificou que não há diferenciação de equipamentos que pertencem a uma ou outra empresa, já que o pátio é único. No local, o clima é hostil após a deflagração da operação da Polícia Federal, Receita e Ministério Público Federal.

Assim que avistaram a reportagem, funcionários que estavam no pátio entraram na sede da empresa, que não possui fachada. Funcionários da CG Solurb, formada também pela LD Construções, faziam a manutenção da grama ao lado da sede.

Suspeitas

O que chamou a atenção do Ministério Público Federal foi a empresa, que tinha capital de R$ 6,5 milhões, ter saltado para R$ 35 milhões em pouco menos de dois anos. Atualmente, a LD Construções tem capital de R$ 46,7 milhões, segundo dados da Receita Federal.

De acordo com o portal da transparência do governo estadual, a LD manteve dois contratos ainda vigentes em 2015. Ambos são de manutenção de rodovias em Ponta Porã e Bela Vista, ao custo de R$ 15,4 milhões.

Já a Proteco manteve 11 contratos em 2015, ao custo de R$ 61.234.580,31. Desses, quatro ainda estão vigentes segundo os dados do portal e somam R$ 25,9 milhões.

Fonte de dentro da Seintrha (Secretaria Municipal Infraestrutura, Transporte e Habitação) garante que a Prefeitura Municipal de Campo Grande mantém 14 contratos vigentes com a Proteco. Ainda segundo informações extraoficiais, juntas as contratações, válidas por um ano, somam cerca de R$ 100 milhões.

Jornal Midiamax