Mais de 5,5 mil eleitores de Bandeirantes compareceram às urnas em 2024 para eleger um novo prefeito. Por volta das 17h30 de 6 de outubro daquele ano, conheceram o mais votado. Contudo, quatro dias depois veio o déjà vu: a candidatura indeferida não garantiu a posse do eleito e nem novas eleições para o município, a 74 quilômetros de Campo Grande.
Desde então, o município enfrenta cenário parecido com o pleito de 2020. Alvaro Urt (PSDB) foi eleito naquele ano e em 2024 para comandar o Executivo.
Nas eleições municipais daquele ano, com votação em 15 de novembro, o candidato eleito também teve candidatura indeferida. A definição de um novo prefeito aconteceu quase um ano depois, em 7 de novembro de 2021.
Quase seis meses
Com a situação de 2024 indefinida, os eleitores se aproximam de seis meses sem definição da Justiça Eleitoral sobre a eleição. Isso porque o processo de julgamento sobre o prefeito eleito está parado em instância superior.
Enquanto isso, eleitores compartilham o mesmo sentimento: desânimo. O Jornal Midiamax passou uma tarde em Bandeirantes, conversando e ouvindo os votantes que participaram do último pleito.
A indefinição das eleições tomou conta da cidade com pouco mais de 8,2 mil habitantes. O assunto é tema de conversa das praças até comércios.
Assim, a vendedora na região central, Amanda Gomes, disse que já escutou diversas opiniões sobre o assunto. “Eles comentam, que tinha que ter novas eleições, que não tinha que ficar nem esse, nem aquele outro”, explicou ao Midiamax.
Josiel Paixão mora na cidade há 17 anos e participou das últimas eleições para prefeito da cidade. No segundo ano com possibilidade de eleição suplementar, comenta sobre o acontecido. “Fico um pouco chateado, porque não fomos nós que erramos”, lamentou.

Quem errou sobre Bandeirantes?
A derrubada de candidatura em 2024 também trouxe dúvidas aos eleitores. “Acho que um órgão interviu no outro, um autorizou e o outro não. Então, fica muito assim, a gente não sabe em quem acreditar realmente”, disse Josiel.
Morador de Bandeirantes há 30 anos, Moacir Fernandes de Oliveira acredita que a situação do candidato deveria ser definida antes das votações. “A Justiça Eleitoral que, para mim, fez uma coisa errada. Devia ter barrado antes”. Então, para ele, o julgamento antes do pleito garantiria que a cidade não ficasse “nessa pendenga”.
Contudo, Patrícia Gomes de Souza já imaginava viver uma eleição suplementar. “Já era esperado que ele não ia sumir de novo. Fizeram o povo de bobo”.

Entenda o caso que corre na Justiça Eleitoral
Alvaro Urt (PSDB) concorreu e ganhou os pleitos de 2020 e 2024. Porém, a Justiça Eleitoral indeferiu a candidatura do político. O caso mais recente tem como justificativa pedido de impugnação, que apontou que o eleito passou por cassação no município em mandato passado.
Contudo, Urt recorreu da decisão em instância regional. Ou seja, pediu ao TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral) reavaliar a decisão e garantir a posse.
Mais uma vez, teve o pedido negado e a candidatura derrubada. Logo, legou o caso até o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Pediu aos ministros que reconhecessem “a decisão do TRE-MS que por unanimidade aprovaram o registro aqui [Bandeirantes-MS]”.
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Nova eleição para prefeito?
Em 11 de fevereiro, o relator, ministro André Mendonça, negou provimento ao agravo interno. Então, determinou uma nova eleição para os cargos de prefeito e vice-prefeito de Bandeirantes.
Contudo, o Ministro Nunes Marques pediu vista do processo logo em seguida.
Ademais, em 11 de março, o ministro Nunes Marques pediu a prorrogação do prazo do pedido de vista. O prazo da prorrogação termina em 11 de abril. “Até o momento, não há nova data definida para o retorno do processo ao plenário do TSE”, pontuou o TRE-MS.
Vale lembrar que em 1º de janeiro, o vereador Marcelo Abdo (PP) tomou posse na Câmara. Assim, eleito o presidente da Casa, assumiu a prefeitura interinamente.
De olho no futuro
Enquanto o trâmite legal corre, a esperança de uma definição eleitoral toma conta dos munícipes. A comerciante Jaciane da Ongaro sugere renovação dos candidatos. “Eu desejo que aconteçam novas eleições, sim, mas com um nome novo. Assim, esses que estão no poder já fizeram o que tinha que ter feito e não merecem mais não”, justificou.
Para Sérgio Pereira Fernandes, o município deve eleger um novo prefeito. O eleitor de Bandeirantes acredita que a cidade ficará prejudicada com um mandato menor. “Para mim fica ruim, porque a pessoa tem que ter quatro anos”.
Além disso, apontou preocupação com as ações do Executivo antes do pleito. “Lógico que o interino quer tentar fazer o máximo, para poder ganhar se sair para eleição”, comentou.
Ainda sem saber sobre a suplementar de 2024, a insegurança sobre as candidaturas já consome os eleitores sobre o pleito de 2028. “Vai para a segunda vez que aconteceu isso [suplementar], e quem sabe, o próximo não sei, também. No futuro a gente nunca se sabe. Fica ruim para a população e para a cidade”, lamenta Moacir.