Política

Secretário de Bolsonaro diz em MS que índios 'são responsáveis por conflitos agrários'

Segundo Luiz Antônio Nabhan Garcia, só em MS existem 151 propriedades com índios

Marcos Morandi Publicado em 17/09/2021, às 08h21

Nabhan, de camisa branca, ao lado do ministro do Turismo, subiu em um dos lançamentos de  máquinas agrícolas
Nabhan, de camisa branca, ao lado do ministro do Turismo, subiu em um dos lançamentos de máquinas agrícolas - Morandi

Integrante da comitiva que acompanhou a visita do ministro do Turismo, Gilson Machado Net, em Dourados, na tarde desta quinta-feira (16), o secretário especial de Assuntos Fundiários, Luiz Antônio Nabhan Garcia, culpou os indígenas pelos conflitos agrários existentes no Brasil.

A afirmação foi dada ao Midiamax por Nabhan enquanto contemplava algumas máquinas agrícolas altamente avançadas na Exposição Agropecuária de Dourados. “Conflito só existe quando alguém desrespeita a lei. E isso acontece aqui em Dourados, com indígenas que estão invadindo propriedades rurais”, afirmou.

Segundo ele, a questão já foi discutida em uma audiência pública no início do ano passado após um confronto entre funcionários de uma fazenda e indígenas que ocupam a retomada Nhu Verá, nas proximidades da Reserva Federal, e que resultou em quatro pessoas feridas.

“São propriedades privadas e quem invadir está cometendo um crime. Então, nós não podemos aceitar que isso continue acontecendo aqui em Dourados, que é um exemplo para o agronegócio do Brasil e que pode ser colocada em risco, caso o Marco Temporal, que é garantido constitucionalmente, seja derrubado pelo STF”.

No seu entendimento, se o Marco Temporal não for mantido, estaremos diante de um rastilho de pólvora e a situação de conflito, que já é preocupante, vai ficar ainda pior. “Só essa discussão já gerou uma insegurança jurídica. Só aqui no Mato Grosso do Sul, temos 151 propriedades privadas invadidas por índios. Então, essa é uma situação extremamente delicada e que pode piorar”, justificou Nabhan.

Casa de palha localizada na retomada ficou totalmente destruída pelo fogo, conforme imagens gravadas por uma moradora da área e divulgadas pelo Cimi

Clima tenso

As declarações do secretário especial de assuntos fundiários colocam mais gasolina no clima tenso entre indígenas e produtores rurais de Dourados. No início de setembro, um deles, que arrenda uma área na região, assumiu a autoria do incêndio a uma casa que abrigava uma família indígena, com três filhos, localizada na área de retomada (acampamento)  Avae’te, depois que as imagens do ataque foram divulgadas pelo Cimi (Conselho Missionário Indigenista).

O produtor afirmou que arrenda a área e tomou a atitude após várias denúncias contra invasões do local. “Botei fogo sim porque o barraco estava dentro da área que sou arrendatário”. Segundo ele, alguns indígenas que estão acampados na região teriam destruído parte da sua plantação de milho.

Jornal Midiamax