Política

MP investiga compra de votos em favor de prefeito e ex-vereador de cidade de MS

Ex-vereador que não conseguiu a reeleição, em gravações, revelou entrega de tênis e bolas e gastos acima do previstos.

Humberto Marques Publicado em 20/01/2021, às 18h44

Paço municipal de Nova Andradina | Foto: Divulgação
Paço municipal de Nova Andradina | Foto: Divulgação - Paço municipal de Nova Andradina | Foto: Divulgação

Áudios que vem circulando entre a população de Nova Andradina –a 300 km de Campo Grande– entraram na mira do Ministério Público Eleitoral, que nesta quarta-feira (20) confirmou a abertura de representação tendo entre os alvos o prefeito eleito, José Gilberto Garcia (PR), e o ex-vereador Vailton Sordi, o Amarelinho (MDB). As denúncias sugerem a ocorrência de ilícitos durante a Eleição 2020, como compra de votos.

Conforme noticiado, desde 11 de janeiro circulam via WhatsApp e Facebook áudios com conteúdos que “supostamente, desabonam e coloca em dúvida a lisura do pleito eleitoral de Nova Andradina”, bem como a conduta dos citados. As gravações, conforme anotado na denúncia, poderiam gerar alterações no resultado das eleições.

O principal protagonista das gravações é o ex-vereador Amarelinho, que em 2020 ficou como suplente. Em uma das gravações, ele teria confirmado a distribuição de 500 tênis e 300 bolas à população, em ano eleitoral. A um interlocutor, conforme transcrito pelo Nova News, ele afirma que “ele sabe o que eu gastei, ele sabe o que eu fiz. Fora esse dinheiro de campanha, nós tinha [sic] gastado no início”.

Outra voz no áudio o questiona sobre o reconhecimento da população, já que não foi eleito, ao qual afirma que prefere que a situação vá “piorando cada vez mais”, pois “quanto mais piorar, mais eu vou ganhar dinheiro”.

Em outra gravação, ele afirma que gastou R$ 100 mil em sua campanha eleitoral, quase o dobro dos R$ 52.583 fixados como teto na campanha à Câmara Municipal em Nova Andradina. Já sua declaração oficial de campanha informou R$ 9.160 em despesas ao TSE.

Neste áudio, ele afirma ter vendido 2 terrenos e angariado R$ 80 mil “para terminar a campanha”. Além disso, disse que usou R$ 35 mil em recursos próprios e R$ 30 mil “dos outros caras da cidade”. “Nessa campanha eu gastei ao todo R$ 100 mil”.

A reportagem não conseguiu localizar Amarelinho para comentar os fatos. Ao Nova News, ele informou que preferiu não se manifestar.

Acusado de comprar votos, prefeito diz que tomou ‘providências legais’

Os materiais não citam diretamente o prefeito Gilberto Garcia, contra quem pesaria denúncia de compra de votos nas eleições –a reportagem apurou que o prefeito, reeleito, é acusado de captação ilícita de sufrágio (compra de votos), que teria surgido em conversa entre ele e um cabo eleitoral que atuou na campanha de 2020 e teria intermediado o contato com os eleitores participantes do esquema.

Ao Jornal Midiamax, Garcia negou a compra de votos, disse ter tomado conhecimento das denúncias e afirmou que teria sido alvo de tentativa de chantagem após a eleição. “Estamos cientes e já tomamos as providências legais. Vamos acompanhar essa representação e aguardar o Ministério Público se manifestar”.

Jornal Midiamax