Política

Superlotação de leitos em Campo Grande é agravada por aumento de casos de Aquidauana

Aquidauana, que fica a 140 quilômetros de Campo Grande, estaria com problemas no abastecimento de oxigênio dos leitos de CTI.

Dândara Genelhú Publicado em 05/08/2020, às 14h39 - Atualizado às 17h31

(Foto: Leonardo de França/ Arquivo Midiamax)
(Foto: Leonardo de França/ Arquivo Midiamax) - (Foto: Leonardo de França/ Arquivo Midiamax)

Campo Grande recebe pacientes de outros municípios para atendimento em agravamento do coronavírus. Entretanto, para o prefeito Marquinhos Trad (PSD), os pacientes de Aquidauana estariam contribuindo para a superlotação do sistema de Saúde da Capital. Aquidauana, que fica a 140 quilômetros de Campo Grande, estaria com problemas no abastecimento de oxigênio dos leitos de CTI (Centro de Terapia Intensiva).

Em Aquidauana, o aumento de casos na área rural, principalmente nas aldeias, tem causado colapso na rede local de saúde da cidade. A situação se agravou na região após evento que reuniu políticos para lançamento de obra, no início de julho. O caso está, inclusive, sendo apurado pelo MPF (Ministério Público Federal).

As afirmações foram feitas nesta quarta-feira (05), ao Jornal Midiamax. De acordo com dados da Prefeitura de Campo Grande, dos 75% dos pacientes internados da macrorregião da Capital é da microrregião de Aquidauana. Ou seja, dos 29 internados, 22 são da microrregião do município do interior.

“Todos esses pacientes deveriam ficar em Aquidauana”, afirmou Marquinhos. De acordo com o plano municipal de Saúde de Aquidauana, fazem parte da microrregião os seguintes municípios: Aquidauana, Anastácio, Miranda, Bodoquena, Nioaque e Dois Irmãos do Buriti. Sendo que a única cidade que ainda não enviou pacientes para a capital, é Bodoquena.

Falta de oxigênio nos leitos

A transferência de pacientes da microrregião de Aquidauana para a Capital acontece devido a falta de manutenção na usina de oxigênio do HR (Hospital Regional) Doutor Estácio Muniz. Devido a situação, um ofício de solicitação de averiguação foi enviado ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

No documento, é citado que o município do interior recebeu R$ 6.485.612,97 de repasses federais e R$ 620 mil de recursos estaduais. Estas verbas foram enviadas para a Prefeitura Municipal como auxílio para enfrentamento a pandemia de coronavírus.

Assim, o ofício, encaminhado para o procurador-geral de Justiça do MPMS, Alexandre Magno de Lacerda, pede que o órgão faça inspeção na gestão do município. A solicitação tem como base a quantidade de repasses recebidos e ainda assim, a falta de manutenção na usina de oxigênio do hospital. Atualmente, o HR de Aquidauana poderia atender apenas três pacientes, de acordo com o documento.

Jornal Midiamax