Política

Iphan nega articulação para nomear mulher de Paulo Duarte em MS

Maria Clara Scardini afirma que foi convidada apara cargo

Guilherme Cavalcante Publicado em 22/03/2017, às 15h55

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O ex-prefeito de Corumbá, Paulo Duarte (PDT) e a esposa, Maria Clara Scardini (Foto: Reprodução/Facebook)

Maria Clara Scardini afirma que foi convidada apara cargo

A presidência do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) negou, por meio de nota, que a arquiteta Maria Clara Scardini, esposa do ex-prefeito de Corumbá, Paulo Duarte (PDT), esteja em vias de ser nomeada para o cargo de superintendente do Iphan-MS, em Campo Grande.

“Até o momento, não há, no Gabinete do Iphan, nenhuma informação a respeito de uma possível substituição da superintendente do Iphan-MS”, traz a nota enviada pela assessoria de imprensa.

Contudo, em conversa por telefone, Scardini – que foi diretora-presidente da Fuphan (Fundação de Desenvolvimento Urbano e Patrimônio Histórico) de Corumbá durante a gestão de Duarte – confirmou ao Jornal Midiamax que recebeu convite para assumir o posto, atualmente ocupado por Norma Daris Ribeiro. Servidores da entidade também dão como certa a indicação da arquiteta para o cargo.

As informações indicam que mudanças como nas superintendências estariam seguindo movimento nacional de acomodação política em troca de apoio ao governo Temer em temas polêmicos, como a reforma da previdência.

Coincidentemente ou não, Paulo Duarte, que não se reelegeu nas últimas eleições municipais, foi nomeado assessor técnico da presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, junto ao deputado estadual Junior Mochi (PMDB). Houve rumores de que as negociações envolveriam também a ida de Duarte para o PMDB, mas Mochi desmentiu o convite.

Crise do Iphan

Sede do Iphan-MS (Reprodução/Youtube)Entre os servidores federais do Iphan em Mato Grosso do Sul, a notícia da mudança, embalada por acertos políticos e apadrinhamento, causou reação. Na superintendência estadual do Iphan no Rio de Janeiro, por exemplo, a resistência de servidores do órgão ganhou forma de protesto.

Lá, a servidora de carreira Mônica da Costa, que desempenha o cargo, deverá ser substituída pelo ex-secretário de educação estadual do Rio de Janeiro, Cláudio Roberto Mendonça, que teria sido indicado pelo deputado Áureo Ribeiro (SD-RJ). A medida gerou indignação dos servidores, que publicaram uma carta aberta pela manutenção de Costa no cargo.

Na superintendência regional da Paraíba, a nomeação do ex-governador Lacerda Neto (PSD) para o posto em agosto de 2016 também acirrou os ânimos de servidores e da comunidade artística local. Ainda em 2016, logo após o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), houve várias mobilizações criticando uma ‘dança das cadeiras’ que teria como objetivo buscar apoio ao impeachment, que também gerou abaixo-assinado.

Vale lembrar, claro, do escândalo envolvendo o Iphan da Bahia, em novembro de 2016, quando houve a exoneração do ex-ministro Geddel Vieira Lima (Governo), após denúncias do também ex-ministro Marcelo Calero (Cultura) de que Geddel praticava tráfico de influência e havia ‘pedido a cabeça’ da superintendente da Bahia, quando esta vetou a construção de um arranha-céu em área histórica de Salvador. Geddel, no caso, era um dos investidores no empreendimento.

Nepotismo

Em 2015, o MPE (Ministério Público Estadual) abriu investigação contra o então prefeito Paulo Duarte, na época, filiado ao PT, por ter nomeado Maria Clara Scardini ao posto de diretora-presidente da Fuphan. Duarte justificou a nomeação alegando a competência técnica de Scardini e recusou-se a exonerar a primeira-dama do cargo. Posteriormente, a primeira-dama deixou o cargo para dedicar-se à campanha de reeleição de Duarte.

Jornal Midiamax